Colaboradores

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vestibular 2013 - Universidade Metodista de São Paulo



Vestibular 2013

No dia 22 de outubro tiveram início as ações de TV da campanha do vestibular. Agora você tem a oportunidade de assistir ao comercial do Vestibular Metodista durante os intervalos dos programas da TV Bandeirantes - CQC, Agora é Tarde e Pânico na TV.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As chaves do sucesso!

Conselhos dos doze cientistas para quem quer se destacar em carreiras competitivas

1. Leia muito e de tudo – Não apenas livros técnicos. Leia romances, contos e poesia. Eles ajudam a desenvolver uma visão plural da vida.
2. Exercite a curiosidade – Ela é o primeiro degrau de todas as descobertas.
3. O terceiro idioma – Ler, escrever e falar inglês é básico. A diferença começa com o aprendizado de uma terceira língua.
4. Tenha base sólida – As ciências básicas, como a física, a química e a matemática, alicerçam todas as outras carreiras.
5. Escolha bem – A melhor escola nem sempre é a mais conhecida e famosa. Escolha entre as que têm professores mais atuantes.
6. Pesquise sempre – As bolsas de iniciação científica dão chance de começar a pesquisar ainda na graduação. Aproveite-as.
7. Escolha suas companhias – Se quiser ser cientista, conviva com cientistas. Freqüente os laboratórios e centros de pesquisa mais produtivos de sua faculdade.
8. Dedique-se – Vale a mais famosa equação de Einstein: sucesso = 10% de talento + 90% de suor.
9. Tome a iniciativa – Não se satisfaça com o que o professor ensina. Busque mais informação. Todo bom cientista é um autodidata.
10. Mire no exterior – O isolamento mata a pesquisa. A troca de informações é uma das chaves do sucesso.
11. Faça a diferença – Escolha a área de atuação em que seu trabalho possa se destacar.
12. Busque a visão universal – O cientista tende a se especializar cada vez mais cedo. Isso é inevitável, mas é um erro fatal fechar-se a outras áreas da pesquisa.

Fonte: Revista Veja on-line - edição 1878

sábado, 6 de outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Você conhece a Biomedicina Metodista?


Olá,

E aí? Você conhece o curso de Biomedicina? e a Biomedicina Metodista?
Você sabia que conforme descrição do CRBM 1 região a Biomedicina "É a arte de ensinar, diagnosticar e valorizar a vida, é uma das mais novas profissões da área da saúde. Ela busca o entendimento de cada transformação do corpo humano, bem como suas consequências.  É o estudo que leva ao diagnóstico e possibilita o tratamento das mais diversas patologias, doenças que desafiam pacientes e profissionais da saúde. É a aplicação do saber em prol da Humanidade." ?
Sabia que um Biomédico pode atuar em mais de 30 áreas diferentes?  
Não ficou curioso para conhecer mais sobre esta profissão apaixonante? 
Que tal ver o vídeo produzido pelos professores com a ajuda dos alunos do curso para a recepção dos calouros?
Conhecer os laboratórios, salas de aula, Núcleo de Análises Clínicas, Núcleo de Pesquisa, Centro de Neurociências?
Conversar com professores e alunos?
Saber o que faz o Centro Acadêmico do Curso? O que é Semana Acadêmica? Interbiomed?
Conhecer os projetos de pesquisa nas áreas de Neurociências, Oncologia, Microbiologia, Microbiologia de Alimentos, Micologia, Genética ... ?
Conhecer os projetos de Extensão como o Rondon, Rali dos Sertões, Canudos...?
Saber o que uma Universidade de Qualidade pode oferecer? Como professores qualificados, salas de aula multimídia, laboratórios equipados para aulas práticas, laboratórios de informática, cursos de línguas, academia escola, intercâmbio, bolsas de estudo, Congresso etc?

Que tal participar dia 6 de outubro (sábado) da Universidade Aberta?
Será uma ótima oportunidade para obter mais informações sobre o curso, vestibular, bolsa de estudo, vivenciar o dia a dia das aulas e da profissão escolhida !!!!!
Para   informações sobre o evento entre no site: http://www.metodista.br/vestibular/presencial/dua
Esperamos você!!!!!!
Abraços
Biomedicina Metodista!!!!!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Biomedicina na Folha de São Paulo



Eliete Caló Romero, 45 - faz monitoramento da Leptospirose
 

Vejam a matéria no ESPECIAL GUIA DAS PROFISSÕES da FOLHA DE SÃO PAULO que saiu hoje quinta-feira, 27 de setembro de 2012

 http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1159833-biomedico-faz-analises-clinicas-para-diagnostico.shtml

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Homens e mulheres enxergam de maneiras diferentes, diz estudo.

Olhos dos homens são mais sensíveis a pequenos detalhes;
mulheres distinguem cores com mais facilidade
 
Pesquisa norte-americana mostra que há diferenças na visão dos dois sexos.
Da BBC
Se você chega em casa recém-saído do cabeleireiro, com um tom de tintura vermelha que nunca antes havia se atrevido a usar, e seu marido a recebe com um "que lindos esses seus novos brincos", em referência a um presente de uma prima que você quase deixou de lado, pense duas vezes antes de se irritar e gritar com ele. Não se trata -neste caso ao menos- de falta de interesse, atenção e muito menos de carinho.
De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, os olhos dos homens são mais sensíveis aos pequenos detalhes e aos objetos que se movem em grande velocidade, enquanto as mulheres distinguem cores com mais facilidade.
Isaac Abramov, professor de psicologia do Brooklyn College, foi o responsável por dois estudos paralelos para determinar essas diferenças. Em um deles, apresentou aos participantes uma amostra de uma cor específica e pediu a eles que a descrevessem empregando uma série de termos pré-determinados.
Desta forma, o psicólogo e sua equipe descobriram que homens e mulheres descreviam a mesma cor diante de seus olhos usando termos diferentes. "Ambos veem o azul como azul, mas que porcentagem de vermelho veem na cor difere se o indivíduo é homem ou mulher", disse Abramov. Assim se explica por que as mulheres são melhores quando se trata de combinar cores ou de buscar tons semelhantes entre si.
Um ponto no horizonte
O outro estudo conduzido pela mesma equipe se concentrou em como cada sexo percebe os detalhes e as imagens em movimento. Os homens detectam os detalhes, por mínimos que seja, com mais facilidade.
"Por exemplo, se um avião ingressa em nosso campo visual, como um ponto ínfimo no horizonte, o homem o notará antes da mulher", diz o cientista. "Ou se uma pessoa tem tendência a tornar-se míope com o tempo, se for homem, levará mais tempo até que tenha que usar óculos", acrescenta.
Diferenças
As hipóteses para explicar as razões por trás dessas diferenças são várias e dão início a uma série de debates, diz Abramov. "Uma explicação possível é que no cérebro se encontram receptores do hormônio masculino, testosterona, e a maior concentração desse hormônio está na parte superior do cérebro -o córtex cerebral- que é a principal zona visual", destaca.
"Por que essa região do cérebro é tão sensível à testosterona também é uma questão de especulação", acrescenta.
Evolução
Outra teoria está relacionada com a evolução. Os homens, em seu papel de caçadores, evoluíram suas capacidades que o permitiam avistar à distância uma presa ou um animal que pudesse representar uma ameaça com maior precisão, enquanto as mulheres aperfeiçoaram suas capacidades para melhorar seu desempenho como coletoras.
Abramov deixa claro que todas essas diferenças são sutis e que afetam a visão em seu nível mais primário. Sem dúvida, por ser uma diferença biológica, não é possível treinar o olho para melhorar" no que faz pior.
Além disso, isto não afeta a percepção -ao menos no que se sabe até o momento- já que esta se alimenta de muitos outros fatores, como a educação, a memória e os interesses.
Fonte: G1.globo.com – Ciência e Saúde
Imagem: Foto: WikiCommons

Médicos suecos fazem transplante de útero de mãe para filha


DA ASSOCIATED PRESS

Duas mulheres da Suécia estão carregando o útero de suas mães. Segundo os médicos responsáveis, esses são os primeiros transplantes de útero de mãe para filha.

Especialistas da Universidade de Goteborg fizeram a cirurgia no último fim de semana sem complicações, mas dizem que só vão considerar o procedimento bem-sucedido se as mulheres engravidarem depois do fim do período de observação, que termina daqui a um ano.

"Não vamos dizer que foi um sucesso completo até que isso resulte em crianças", disse Michael Olausson, um dos cirurgiões, à agência Associated Press. "Essa é a melhor prova."

Ele disse que as receptoras começaram o tratamento de fertilização antes da cirurgia.

Hormônios foram usados para estimular os ovários, que elas já tinham, para produzir óvulos. Os cientistas vão fertilizar os óvulos com espermatozoides no laboratórios e congelar os embriões, que, depois disso, serão descongelados e transferidos para as mulheres se elas estiverem em boas condições de saúde daqui a um ano, segundo Olausson.

Depois de até duas gestações, o útero das duas será removido.

A universidade afirmou que uma das receptoras teve de remover seu útero há muitos anos por causa de câncer cervical. A outra nasceu sem útero. Ambas têm cerca de 30 anos.

"As duas pacientes estão bem mas estão cansadas após a cirurgias. As mães, que doaram o útero, já estão caminhando e terão alta hospitalar em alguns dias", afirmou Mats Brannstrom, líder da equipe, em um comunicado.

Médicos da Turquia, no ano passado, afirmaram ter feito o primeiro transplante de útero bem-sucedido, dando um útero de uma doadora morta a uma jovem. Segundo Olausson, essa paciente está bem, mas não se sabe se ela já fez tratamento de fertilização.

Em 2000, médicos da Arábia Saudita transplantaram um útero de uma doadora viva, mas o órgão foi removido três meses depois por causa de um coágulo sanguíneo.

Scott Nelson, chefe de obstetrícia e ginecologia da Universidade de Glasgow, afirmou que os transplantes suecos foram um grande passo, mas destacou a necessidade de esperar que a operação resulte em gestações para ver se houve mesmo sucesso.

"Em termos de riscos para a gravidez, as maiores preocupações são a placenta não se desenvolver de forma normal, o bebê não crescer como esperado e nascer prematuro", afirmou Nelson, não envolvido com os transplantes. "O nascimento prematuro é o principal risco."
 
Fonte: Folha Equilíbrio on line – 20 de setembro 2012

Cada medo é um medo

Formas distintas de ameaça ativam circuitos diferentes no cérebro

Maria Guimarães

Quando um animal é posto numa situação que percebe como risco de perder a vida – um rato dentro de uma gaiola com um gato, por exemplo –, ele rapidamente a memoriza. Nos dias seguintes, basta pôr o rato na gaiola, ainda que sem o gato, para suscitar uma reação idêntica de pânico paralisante. “Nesse momento o animal mobiliza o mesmo sistema neural utilizado para se defender do predador”, explica o médico e neuroanatomista Newton Canteras, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). Ele e sua equipe descobriram que, além de existirem circuitos cerebrais distintos para cada tipo de medo (ver reportagem Os caminhos do medo), a memória também está envolvida no processo que leva a reações que diferem conforme a situação.
 
“Diante de um predador, os ajustes fisiológicos necessários são diferentes daqueles ativados quando um indivíduo se confronta com um agressor da mesma espécie”, explica Canteras. Um artigo que ele escreveu em parceria com Cornelius Gross, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular em Monterotondo, Itália, compila o que se sabe sobre o funcionamento neurológico do medo e estampa a capa da Nature Reviews Neuroscience de setembro. A ilustração da capa representa os três tipos de medo descritos no artigo: um leão para o medo do predador, um homem com um taco de beisebol para o medo social e um dentista evocando o medo da dor. “São três vias diferentes no cérebro”, explica o pesquisador da USP.
 
Tanto a memória quanto as pistas do ambiente (como cheiros, sons e imagens) são integradas numa região do cérebro conhecida como amígdala, uma estrutura que fica no lobo temporal. Dali, os estímulos nervosos são transmitidos para o hipotálamo, alojado na base do encéfalo. Muitos laboratórios no mundo todo têm investigado exatamente quais áreas dessas estruturas do cérebro atuam nos diferentes tipos de medo, causando elevação de pressão e alterações hormonais (os tais ajustes fisiológicos) que, por sua vez, geram reações distintas, conforme mostra o artigo na Nature Reviews Neuroscience. Quando enfrenta agressão social, provocada por um indivíduo da mesma espécie, as regiões ativadas no hipotálamo estão mais relacionadas às relações sociais e o rato arqueia as costas numa posição de submissão. Já quando teme sentir dor ou confronta um predador, a primeira reação é congelar. Nesta segunda situação, caso a estratégia fracasse em torná-lo invisível, o rato dá saltos para trás numa tentativa de fuga.
 
Essa atitude quando há risco (aparente, ao menos) à vida pode ser semelhante ao que pessoas enfrentam em guerras ou em situações de violência como um assalto à mão armada. O mecanismo que fixa a memória instantaneamente nos ratos pode ser o mesmo que gera o transtorno de estresse pós-traumático. Entender a neurofisiologia do medo, os pesquisadores esperam, pode ajudar a desvendar – e quem sabe tratar – casos em que ele se torna incapacitante.
 
Fonte: Revista Fapesp  Edição Online 15:14 - setembro de 2012
Imagem: Eduardo César

sábado, 15 de setembro de 2012

Da saciedade e outros prazeres



Células na base do cérebro controlam a fome e acionam os mecanismos neurais da recompensa
FRANCISCO BICUDO

Um grupo de apenas 5 mil neurônios localizados na base do cérebro, em uma região chamada hipotálamo, não controla somente a fome e a saciedade. Especializados na produção de dois dos comunicadores químicos cerebrais – o neuropeptídeo Y (NPY) e o peptídeo relacionado ao agouti (AgRP) –, esses neurônios atuam também sobre os mecanismos cerebrais de recompensa, que coordenam as sensações de prazer. O duplo papel dessas células foi observado por um grupo de pesquisadores brasileiros e norte-americanos e descrito em junho na revista Nature Neuroscience. “Foi a primeira vez que se registrou a influência dessas células sobre outras funções do sistema nervoso central”, conta o médico Marcelo Dietrich, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e primeiro autor do artigo.

Dietrich suspeitava havia algum tempo de que os neurônios produtores de NPY e AgRP pudessem manter conexões com outras áreas cerebrais por causa dos efeitos colaterais provocados por medicamentos inibidores de apetite. Compostos como a sibutramina, retirada do mercado em vários países e vendida com retenção de receita no Brasil, reduzem a fome por induzir efeitos semelhantes ao da desativação desses neurônios.Mas também originam uma série de alterações no organismo, como a melhora do humor – a sibutramina foi desenvolvida para ser usada como antidepressivo – e o aumento do risco de problemas cardiovasculares. “Imaginávamos que os neurônios produtores de NPY e AgRP não estariam isolados ou associados apenas à fome”, conta Dietrich. “Pensamos que também pudessem desempenhar algum papel em funções cognitivas mais sofisticadas e decidimos ver se estavam envolvidos nos mecanismos de recompensa”, diz o pesquisador, que atualmente passa uma temporada no laboratório de Tamas Horvath na Universidade Yale, nos Estados Unidos.

A fim de testar possíveis conexões desses neurônios com os de outras regiões cerebrais, Dietrich realizou uma série de experimentos com roedores geneticamente alterados para apresentar menor atividade dos neurônios do apetite. “As células não eram eliminadas, mas funcionavam de maneira deficiente, minimizando assim a sensação de fome”, explica.

A consequência esperada era que outros mecanismos associados àquele grupo de neurônios também se mostrassem menos ativos. Mas não foi o que ocorreu. Inicialmente os camundongos foram soltos em uma caixa de acrílico em que foi colocado um pequeno cilindro de plástico para avaliar como se comportavam. Como os roedores são curiosos e gostam de conhecer tudo o que é novo no ambiente, o grau de exploração serve como termômetro de ativação dos mecanismos de recompensa. Os pesquisadores imaginavam que eles fossem se interessar pouco pelo objeto novo, uma vez que seus neurônios da fome não estavam funcionando bem. Mas observaram o oposto. Mal entraram na caixa, os roedores caminhavam freneticamente de um lado para o outro, explorando as novidades e tomando informações sobre o ambiente até então desconhecido. Esse era o primeiro indício de que os mecanismos de recompensa estavam respondendo de forma acentuada.

Numa segunda etapa, o pesquisador repetiu os testes aplicando nos animais uma injeção de cocaína, que sabidamente ativa as vias neurológicas de recompensa. Quanto maior a dose, mais os camundongos se movimentavam pelo ambiente. Por fim, Dietrich estabeleceu um roteiro em que determinava a injeção de cocaína durante cinco dias, matinha os animais em abstinência por quatro dias, e depois voltava a aplicar a droga. “O cérebro desenvolve uma espécie de memória dos efeitos da cocaína, cria dependência e responde de forma ainda mais intensa ao final dos testes”, lembra o pesquisador.

Dietrich, então, sofisticou um pouco mais o teste para verificar se a inibição da atividade dos neurônios produtores de NPY e AgRP aumentava a busca por situações prazerosas. Desta vez ele colocou os animais em uma caixa que, de um lado, dava acesso a outra caixa contendo água com cocaína e, de outro, estava conectada a uma terceira caixa com um recipiente com água pura. Num primeiro momento, ele colocou os animais na caixa central e os deixou explorar as outras duas – os animais visitaram as duas caixas mais ou menos o mesmo número de vezes. Depois, Dietrich fechou o acesso à caixa com água pura e deixou os animais visitarem apenas aquela em que havia cocaína. Numa etapa seguinte, fez o inverso. Bloqueou o acesso à cocaína, permitindo as visitas só à caixa com água pura. Por fim, os camundongos voltaram a ter acesso às duas caixas. Desta vez, porém, as visitas ao ambiente com cocaína foram duas vezes mais frequentes do que à caixa só com água. Foi a confirmação da busca pelo prazer.

Questão de idade

“Observamos que os neurônios produtores de NPY e AgRP estão conectados aos neurônios que produzem dopamina, o neurotransmissor do prazer”, explica Dietrich. “Mas essa relação se dá de forma inversa, quando os neurônios do apetite são inibidos, os produtores de dopamina se tornam mais ativos, acentuando o funcionamento dos mecanismos de recompensa”, conta.

Mas restava uma dúvida. Os testes haviam sido feitos com camundongos transgênicos adultos que haviam nascido sem a proteína que ativa os neurônios da fome e os pesquisadores haviam observado que, quanto mais velho o animal, menor o efeito.

Para avaliar a influência da idade, foi preciso mudar de estratégia. Eles inativaram os neurônios da fome em animais com idades diferentes (5, 10, 15 e 20 dias de vida e depois de adulto) e repetiram os testes. Os resultados confirmaram: a inativação dos neurônios da fome nos filhotes mais novos intensificava a ação do mecanismo de recompensa.

Para Dietrich, essa é uma evidência de que é na primeira semana de vida dos roedores que essas células se conectam com as de outras áreas cerebrais. Nos seres humanos, esse estágio do desenvolvimento cerebral corresponde ao do terceiro trimestre da gestação. “Modificar o funcionamento desses neurônios no começo do desenvolvimento talvez gere consequências que só apareçam bem mais tarde na vida, aumentando a suscetibilidade à adição por drogas”, suspeita o pesquisador, que começou a investigar essa função do hipotálamo durante o doutorado na UFRGS, sob a orientação de Diogo Onofre de Souza.

Dietrich pretende ainda compreender a influência da alimentação de recém-nascidos sobre o mecanismo de busca de prazer. “Queremos entender como as células que regulam o apetite reagem quando as mães, em vez de amamentar, dão papinha e outros alimentos em substituição ao leite materno”, conta. “No limite, queremos ser capazes de um dia conseguir sugerir quais são os nutrientes e a quantidade de calorias recomendáveis para que essas conexões se formem de maneira adequada.”
 
Fonte: Revista Fapesp on line edição 199 - Setembro 2012
Imagem: © INFOGRÁFICO PEDRO HAMDAN  FONTE MARCELO DIETRICH

terça-feira, 11 de setembro de 2012

DIA DA UNIVERSIDADE ABERTA METODISTA

 
Venha conhecer a Universidade Metodista de São Paulo e escolher a sua profissão

No dia 6 de outubro, a Universidade Metodista de São Paulo realizará a 5ª edição do evento Dia da Universidade Aberta, no qual alunos de ensino médio, cursos preparatórios para o vestibular, supletivos, professores e familiares poderão visitar a Metodista.

O objetivo do evento é permitir que as pessoas conheçam todas as dependências e a infraestrutura da universidade e recebam informações sobre os cursos e profissões que desejam seguir, facilitando assim a escolha em relação à futura carreira.

Durante a visita, os estudantes e familiares poderão conversar com profissionais que atuam na área e com alunos da universidade para tirar dúvidas sobre o mercado de trabalho, a remuneração e as principais atividades de determinada profissão.

Caso o estudante já tenha escolhido o curso, no Dia da Universidade Aberta, poderá fazer a inscrição no Processo Seletivo da Metodista com desconto especial.

A entrada no evento é gratuita para estudantes do ensino médio, fundamental, curso preparatório, professores e acompanhantes.

Dia da Universidade Aberta Metodista
Quando: 06 de outubro (sábado), entre 10h e 16h.
Local: Universidade Metodista de São Paulo, Campus Rudge Ramos. Rua Alfeu Tavares, 149, Rudge Ramos, São Bernardo do Campo.
As escolas interessadas devem fazer inscrição prévia no link inscrições.


Informações Gerais

Cadastro
Posso cadastrar meu amigo no dia 06 de outubro ao chegar na Metodista?
Sim, mas fazendo o credenciamento antecipado você pode evitar filas. Você também pode reunir um grupo e organizar uma excursão.

Alimentação
Na Metodista você conta com um Centro de Convivência no campus Rudge Ramos e outro no campus Planalto. São lojas de alimentação e serviços, incluindo salão de beleza, loja de roupas, livraria, agência bancária e caixas eletrônicos, além da loja própria da marca Metodista.

Ambulatório Médico
Localizado no prédio Zeta, o Ambulatório Médico ficará disponível durante todo o evento, com médico e enfermeira de plantão para pronto-atendimento.
Rua Alfeu Tavares, 149
Rudge Ramos
São Bernardo do Campo/SP
Fone: 11 4366.5508
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Programa paulista reduz impacto de exame em crianças

Mariana do Espírito Santo, 7, em tomógrafo no Instituto da Criança, em SP, com a mãe
 
Novo método adotado no Instituto da Criança do HC permite retirar menos sangue nos testes laboratoriais
Uso de tomógrafo que emite 70% menos radiação também faz parte do projeto, que servirá de modelo
 
CLÁUDIA COLLUCCI - SP

Menos exames, menos radiação, menos sangue coletado. Esse é o mote de um programa de humanização e segurança criado no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, que deve servir de modelo para outros hospitais infantis do SUS.

O projeto envolveu a adoção de um novo método de análise laboratorial, que diminuiu em até 75% o volume de sangue coletado nas crianças, e a compra de um tomógrafo que faz exame com 70% menos radiação.
Em alguns hospitais privados, como o Sabará (SP), essas tecnologias já existem.
O caso da pequena Alícia, de três meses, é um exemplo real do impacto da mudança. A menina nasceu com uma malformação no intestino e já precisou se submeter a nove coletas de sangue.
Se fosse pelo método convencional, teriam sido retirados 10,8 ml de sangue da garota. Com o micrométodo, que usa tubos com a metade do tamanho dos tradicionais, foram necessários 5,6 ml, uma redução de 48%.
Segundo Marcília Sierro Grassi, neonatologista da UTI do instituto, a mudança de método teve um impacto também no número de transfusões de sangue. "A Alícia só teve de fazer uma. Se fosse pelo método convencional, já teria precisado de mais."
Em crianças prematuras, as coletas de sangue para exames são as principais causas das transfusões. Um bebê de 1 kg tem 100 ml de sangue circulando no corpo, o que equivale a uma xícara.
"Em cada coleta, a gente tira 10% [desse volume]. Tem criança que precisa de duas, três coletas por dia", diz Magda Carneiro-Sampaio, professora titular do instituto e coordenadora do projeto.
O Instituto da Criança realiza cerca de 18,5 mil coletas de sangue por mês. Em 84% delas, será possível usar o micrométodo. O restante, exames mais complexos, demanda o método convencional.
TOMOGRAFIAS
Em relação às tomografias, além da compra do novo aparelho que emite menos radiação, o programa vai também motivar médicos a pedir o exame só em situações realmente necessárias.
Nos últimos anos, vários estudos vêm demonstrando uma relação direta da radiação de exames (raios-X e tomografias) ao aumento do risco de câncer, especialmente quando se trata de crianças.
Isso desencadeou um movimento mundial que defende a limitação de exames radiológicos na infância e a fabricação de equipamentos que minimizem a exposição à radiação ionizante.
"Tem muito diagnóstico que pode ser feito com ultrassom [que não emite a radiação]. Outros nem precisam de exames de imagem. Basta uma anamnese e um bom exame clínico", diz Magda.
É essa a mensagem que o programa também pretende propagar entre os residentes que atuam no instituto e no complexo HC.
"Os médicos deixaram de examinar, a população de deixou de acreditar nos médicos, e o exame tomou conta da clínica. Isso é uma inversão. A gente quer que o médico pare e pense: 'Será que um raio-X vai informar mais do que o meu estetoscópio está me dizendo?"
O cirurgião pediátrico Uenis Tannuri, professor da USP, vai ainda mais longe. "Eu brigo com os meus residentes. Ando com a pesquisa que relaciona radiação com câncer e fico mostrando para eles. Não deixo que peçam exames desnecessários. Esse pecado eu não vou levar para o túmulo."
Testes em miniatura
0,50 ml de sangue  é coletado para realizar um hemograma usando os instrumentos convencionais . 0,25 ml de sangue é coletado para o mesmo exame com o método especial para crianças
A REDUÇÃO É DE  50%  no volume coletado
100 ml  de sangue  é o total circulante em um bebê prematuro com 1 kg. 2,8 ml  de sangue  são coletados para a realização de um exame que avalia a coagulação. 0,8 ml de sangue  é retirado usando o micrométodo, que usa tubos e uma máquina especial
A REDUÇÃO É DE  71,4% no volume coletado
84%  dos 18,5 mil testes de sangue  feitos por mês no Instituto da Criança poderão usar o método.
Fonte: Folha de São Paulo – sábado, 25 de agosto de 2012
Imagem: Karime Xavier/Folhapress

sábado, 18 de agosto de 2012

Uma fábrica de medicamentos

                                            Estruturas das flores da Cannabis que produzem os canabinoides

Pesquisadores da Universidade de Saskatchewan, Canadá, identificaram um caminho químico que a maconha (Cannabis sativa) usa para criar compostos biologicamente ativos chamados canabinoides, abrindo o caminho para o desenvolvimento de variedades de maconha aptas a produzirem fármacos de interesse comercial (PNAS, 16 de julho). Essa rota bioquímica inclui versões diferenciadas de enzimas e nunca havia sido observada em plantas, de acordo com Jon Page, pesquisador de Saskatchewan. Por meio dessas enzimas a Cannabis converte um ácido graxo em uma cadeia simples de carbono, usado para construir moléculas farmacologicamente ativas. Page e sua equipe analisaram estruturas alongadas chamadas tricomas para identificar os genes responsáveis pela produção de substâncias psicoativas como o delta-9-tetrahidrocanabinol ou THC. Depois usaram as enzimas produzidas por esses genes para induzir leveduras a sintetizarem um composto intermediário na rota bioquímica que leva a canabinoides como o THC. No Canadá, cerca de 20 mil pessoas estão legalmente autorizadas a usar canabinoides para aliviar a dor ou recuperar o apetite. O canabidiol, outra substância importante dessa planta, poderia ajudar a reduzir a ansiedade e proteger os neurônios.

Fonte: Revista Fapesp - Edição 198 - Agosto de 2012
Imagem:  JON PAGE/UOFS/NRC E KLAUS ADLER/IPK-GATERSLEBEN

sábado, 4 de agosto de 2012

Os dez mandamentos da biomedicina:

 
  1.  Nunca cobiçaras o jaleco do próximo.
  2. Pipetas não são para usar com a boca.
  3. A culpa nem sempre é dos CRBM's.
  4. Estudar muito = Sucesso.
  5. Se você não tem concentração, comece a ter hoje.
  6. Não vivemos só das análises clínicas, pesquise.
  7. Não tente parecer um médico.
  8. Conheça seus direitos.
  9. Se você não gosta de química, comece a gostar hoje.
  10. Podemos ser muito bem sucedidos, mas vai depender apenas da sua força de vontade.
 
 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Não basta reduzir estômago

 A cirurgia de redução do estômago, procedimento adotado em casos de obesidade mórbida, não resolve sozinha o problema de excesso de peso. Se não houver uma mudança rigorosa nos hábitos alimentares, a operação pode pouco valer, de acordo com estudo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O grupo coordenado pela nutricionista Maria Rita Marques de Oliveira analisou o padrão de consumo de alimentos relatado por 141 mulheres que haviam passado por uma cirurgia de redução do estômago entre dois anos e sete anos antes da pesquisa. Dos 141 casos estudados, 119 foram considerados bem-sucedidos, com perda de mais da metade do peso excedente. Essas mulheres ingeriam cerca de 20% menos energia do que o organismo normalmente necessita. As outras 22 mulheres, cuja operação não produziu resultados tão animadores, consumiam apenas 10% menos calorias do que 
o necessário. Outra diferença importante: a dieta das que emagreceram menos continha mais gorduras e menos nutrientes essenciais (folato, vitaminas C e E) do que a das que perderam mais peso (Nutrition Research, maio de 2012). 
Segundo o estudo, a carência de nutrientes observada nas pessoas submetidas à cirurgia parece depender tanto da qualidade dos alimentos como da redução do trato digestivo, uma vez que as mulheres que emagreceram mais ingeriam um nível mais adequado de nutrientes.

Fonte: Revista Fapesp -   Edição 196 - 2012

Tempestades do corpo e da alma


Crises de depressão e de euforia provocam desequilíbrios químicos que podem danificar as células e acelerar o envelhecimento do corpo.

Desde 2009 o psiquiatra Rodrigo Bressan e outros pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acompanham um grupo de adolescentes com alto risco de desenvolver doenças mentais graves como o transtorno bipolar e a esquizofrenia. Eles querem descobrir o momento adequado para agir antes que os problemas se manifestem e, assim, tentar evitar que se instalem. Ao mesmo tempo, procuram ensinar os adolescentes e seus familiares a lidar com situações estressantes que podem disparar as crises. Assim que possível, Bressan e os psiquiatras Elisa Brietzke e Ary Araripe Neto querem ver se compostos anti-inflamatórios, antioxidantes ou neurotróficos poderiam proteger as células cerebrais e, quem sabe, reduzir o risco de desenvolver essas doenças mentais.

A estratégia de tentar proteger o cérebro com esses e outros compostos se baseia na hipótese de que os neurônios e outras células cerebrais sofrem danos gradativos a partir do primeiro episódio mais intenso da doença – há quem suspeite de que os danos podem começar até mesmo antes. Estudos recentes indicam que nesses distúrbios o cérebro produz certos compostos em níveis nocivos que atrapalham o funcionamento das células e podem causar danos irreparáveis à medida que se sucedem, levando à deterioração das capacidades de raciocínio, planejamento e aprendizagem e até a uma alteração leve e definitiva do humor. Simultaneamente ao aumento na concentração dessas substâncias, haveria também uma diminuição nos de compostos neuroprotetores naturalmente produzidos pelo organismo.

Um dos pesquisadores que ajudou a desenvolver essa hipótese é o psiquiatra Flávio Kapc-zinski, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional. Ele está convencido de que a evolução dramática dos casos graves de transtorno bipolar e de depressão é consequência de alterações fisiológicas causadas pelas crises recorrentes.

As crises que de tempos em tempos atormentam a mente também intoxicam o corpo, acredita Kapc-zinski. Elas seriam como tempestades químicas que desfazem o equilíbrio das células cerebrais e liberam compostos que, carregados pelo sangue, inundariam o organismo – às vezes levando a um grau de intoxicação quase tão grave como o enfrentado por quem desenvolve uma infecção generalizada (sepse). Repetidas ao longo de anos ou décadas, essas avalanches tóxicas precipitadas por surtos de depressão ou de mania produziriam um desgaste lento e progressivo do cérebro e de todo o corpo, reduzindo a capacidade de recuperação e acelerando o processo de envelhecimento.
Kapczinski começou a elaborar esse modelo teórico com base em experimentos feitos por sua equipe e por outros grupos para explicar como e por que a depressão e o transtorno bipolar, uma vez instalados e sem o tratamento adequado, seguem um padrão de agravamento progressivo que pode culminar com a morte precoce por problemas cardiovasculares e até câncer. De acordo com o modelo, as outras doenças que aparentemente nada têm a ver com o que se passa no cérebro poderiam evoluir como resultado dos desequilíbrios orgânicos gerados pelos episódios severos de depressão e mania.

Apresentada inicialmente em 2008 na Neuroscience and Behavioral Reviews, essa hipótese vem ganhando reconhecimento internacional. No último ano os estudos de Kapczinski já foram citados cerca de mil vezes em outros trabalhos. O psiquiatra australiano Michael Berk, da Universidade de Melbourne, acompanha essas pesquisas e, com Kapczinski, chamou esse novo modelo de neuroprogressão.

“Sabemos que esses distúrbios são progressivos e essa proposta teórica explica por quê”, diz Berk. Para ele, a interpretação de que essas doenças se agravam a cada surto pode gerar um impacto importante no tratamento por indicar a necessidade de diagnóstico e intervenção precoce e por sugerir que terapias neuroprotetoras possam atenuar o efeito desses problemas.

“A ideia está posta”, diz o pesquisador da UFRGS. “Agora é possível trabalhar para tentar confirmá-la ou refutá-la.” Ele sabe que o modelo é ousado e que é necessário reunir mais evidências para demonstrar que ele representa de modo adequado a evolução da depressão e do transtorno bipolar. “Temos trabalho para umas duas décadas”, diz Kapczinski.


Fonte: Revista Fapesp - Edição 197 - Julho de 2012
Por: RICARDO ZORZETTO
Imagem: EDUARDO SANCINETTI




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Universidade do prazer


GILBERTO DIMENSTEIN
Universidade do prazer
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Valorizar mais as baladas a disseminação da maconha ou as festas  do que as aulas seria uma fase passageira?
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 DIANTE da frase "baladas e jogos me motivam mais do que as aulas", apenas 16,1% dos estudantes das universidades da capital e região metropolitana de São Paulo disseram discordar totalmente. Uma expressiva parcela (52,3%) admitiu que fumou maconha; muitos certamente preferiam não revelar nada. Beijar na boca várias pessoas numa única noite é rotina. O resultado é que muitos enxergam no ensino superior um espaço de prazer, onde se misturam baladas, drogas e sexo.
Estamos falando aqui de 15 universidades, entre as quais USP, PUC, Unifesp, Mackenzie, FGV, FMU, Unip, Anhembi Morumbi -ou seja, locais que produzem a futura elite política, empresarial, cultural e social do país. Valorizar mais as baladas -a disseminação da maconha pelos campi ou as festas universitárias- do que as aulas seria apenas uma fase passageira, típica da liberdade e transgressão juvenis? Em parte sim, claro.
"Minha suspeita é que existe um jeito de encarar o mundo que vai além de uma atitude juvenil", comenta Marcos Calliari, responsável pela pesquisa.
O levantamento entre universitários foi feito pela Namosca, agência de marketing focada em entender o que passa pela cabeça dos jovens -e, para isso, montou uma rede de entrevistadores e contatos entre os próprios estudantes para facilitar a obtenção das informações.
A suspeita de Calliari, a partir desse levantamento, é como um imediatismo exacerbado marca uma geração. O levantamento indicou que 77% dos entrevistados já beijaram na boca mais de uma pessoa num dia; 89% disseram que beijaram logo no primeiro encontro. "É um pouco como se não houvesse um dia depois de hoje", analisa.
Isso pode significar também que o consumidor vai mudar cada vez mais rapidamente de marcas. Ou que não terá paciência para abrir a conta num banco se tiver de assinar muitos papéis ou formulários na internet. Nem entrar num site que exija cadastramento.
Talvez explique a prosperidade da indústria de venda de trabalhos escolares (até dissertações). Ou por que muitas pessoas mudam tanto de curso no ensino superior, criando uma alta taxa de evasão.
O desinteresse pela política não se deve só à ojeriza aos políticos, mas porque os debates implicam pensar e planejar o futuro -a chance de conseguir um emprego estaria condicionada mais ao desempenho individual do que ao coletivo. A frase "meu sucesso depende apenas de mim mesmo" é discordada totalmente por apenas 3,4%.
Se Lula esbanja popularidade no país, falta-lhe identificação nesse grupo. Apenas 19% disseram que "gostariam de tomar uma cerveja com ele". É, aliás, a mesma percentagem dedicada a Fernando Gabeira, que tem entre suas propostas a descriminalização da maconha e a defesa ambiental. Cerca de 40% gostariam de tomar uma cerveja com o ator Selton Mello; 33% com o apresentador Luciano Huck, empatado com Wagner Moura. Para 45%, Sérgio Groismann entende da juventude; 25% tomariam a cerveja com ele.
Não vou empunhar discurso moralista nem saudosista; o passado não foi melhor do que o presente. Muito menos deixar de entender que a juventude é um período, às vezes arriscado, de testes de limites e experimentações. Mas a pesquisa sugere um problema: a dificuldade de focar e desenvolver um projeto, o que exige necessariamente postergar prazer. Mas esse culto excessivo da celebridade, da pressa e do prazer não vai acabar bem.
Não é por outro motivo que, apesar do desemprego, grandes empresas têm uma crescente dificuldade de recrutar trainees -isso apesar de que, em alguns casos, há mais de 3.000 candidatos por vaga. O que pode estar acontecendo é até mesmo uma mudança na paisagem das elites. Os jovens de periferia, mais focados e com mais garra (afinal, sobreviveram ao massacre educacional), que começam a chegar às faculdades públicas, ganharão cada vez mais espaço. Estudaram de noite e nos finais de semana para alcançar, para ter o prazer de entrar na faculdade e garantir um bom emprego.
PS - Entre os vários dados que me chamaram a atenção, um deles se destacou. Indagados sobre o estilo musical preferido, não houve pontuação, nem apareceu na lista, música erudita. Será que é consequência do imediatismo e a dificuldade de lidar com obras mais complexas? Fico imaginando se, num futuro breve, as salas de concertos não estarão vazias. A íntegra da pesquisa está no site: www.dimenstein.com.br.
gdimen@uol.com.br

Novo tratamento contra infecção por ébola eficaz em macacos


Experiência realizada por equipa canadiana publicada na «Science Translational Medicine»

2012-06-18
 
Uma combinação de três anticorpos parece ser a solução para o tratamento da doença provocada pela infecção com vírus ébola, um dos mais mortíferos que se conhecem. Desenvolvido por uma equipa de biotecnologia da Universidade de Manitoba (Canadá), este novo tratamento, testado em macacos, neutraliza a proteína da superfície do vírus que este necessita para entrar na célula e infectá-la.
O ébola é um vírus hemorrágico que chega a matar 90 por cento das pessoas que o contraem. Em 1995, um surto no Zaire (actual República Democrática do Congo), da estirpe mais mortífera (chamada, precisamente, zaire), afectou 350 pessoas. Dessas, mais de 250 vieram a falecer. A descoberta está publicada na revista «Science Translational Medicine».
O êxito dos ensaios agora realizados abre novas portas para o desenvolvimento de um tratamento eficaz contra o vírus. A experiência foi feita com macacos da espécie Macaca fascicularis, que estavam infectados com a estirpe mais perigosa do vírus.
Os quatro animais que receberam a primeira das três doses de tratamento nas primeiras 24 horas depois da exposição ao patogénio sobreviveram, enquanto que apenas dois dos quatro animais sujeitos ao tratamento 48 horas depois da infecção ficaram curados.
O composto, denominado ZMAb, só é eficaz, para já, contra a estirpe Zaire, mas não deverá ser muito difícil desenvolver algo parecido para outras estirpes do vírus, acreditam os investigadores.

Artigo: Successful Treatment of Ebola Virus–Infected Cynomolgus Macaques with Monoclonal Antibodies

Fonte: Ciência Hoje - 1 de agosto de 2012

sábado, 28 de julho de 2012

DNA aos pedaços

Cocaína e ecstasy causam danos ao organismo, todos sabem. Mas não se imaginava que uma dose única dessas drogas pudesse causar lesões celulares tão rapidamente. Em testes com animais, a aplicação de uma só dose provocou danos no material genético (DNA) das células que puderam ser detectados uma hora mais tarde, revela estudo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto de Criminalística de São Paulo, publicado na Addiction Biology. A biomédica Tathiana Alvarenga administrou três diferentes doses de cocaína e três de ecstasy a camundongos e analisou o que aconteceu com as células do sangue, do fígado e do cérebro. A dose mais baixa de cocaína já foi suficiente para avariar o DNA das células do sangue e do cérebro dos animais, enquanto as lesões só foram observadas com as quantidades mais elevadas de ecstasy. Foram efeitos localizados, que provavelmente não alterariam o funcionamento desses órgãos. Mas que devem se disseminar com o uso frequente. “Em muitos casos”, conta Tathiana, “a molécula de DNA havia se rompido, o que pode levar à morte da célula”.

Fonte: Revista Fapesp