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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico


As recomendações do Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico, que dispensa a necessidade de jejum de 12 horas para exames do perfil lipídico já estão disponíveis para os laboratórios. Os exames onde o jejum pode ser dispensado são: Colesterol Total (CT), LDL‐C, HDL‐C, não‐HDL‐ C e Triglicérides (TG). O documento, distribuído aos laboratórios no início de dezembro, foi elaborado em conjunto pelas Sociedades Brasileiras: Cardiologia/Departamento de Aterosclerose (SBC/DA), Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Análises Clínicas (SBAC), Diabetes (SBD) e Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

A obrigatoriedade do jejum prolongado deverá ser avaliada pelo médico que acompanha o paciente em casos específicos, como quando este apresentar concentração de triglicérides acima de 440 mg/dL, fora do estado de jejum, sendo considerado como referência o nível desejável até 175 mg/dL. Neste caso, a orientação ao médico é que seja prescrito outra avaliação do TG, com o jejum de 12h, e dessa forma será considerado um novo exame de triglicérides pelo laboratório.

A não obrigatoriedade do jejum na maioria dos casos se dá pela constatação de que, graças ao avanço das metodologias diagnósticas, o consumo de alimentos antes da realização desses exames – desde que habituais e sem sobrecarga de gordura –, causa baixa ou nenhuma interferência na análise do perfil lipídico.

De acordo com a Normatização, a flexibilização evita que o paciente diabético, por exemplo, corra o risco de uma hipoglicemia por causa do jejum prolongado, entre outros transtornos e intercorrências mais comuns em gestantes, crianças e idosos.

Além de mais comodidade para o paciente, outro benefício decorrente da flexibilização, segundo os autores do documento, é a oportunidade que os laboratórios de análises clínicas têm de otimizar seu fluxo de atendimento, com mais horários disponíveis para a coleta, reduzindo assim o congestionamento especialmente no início das manhãs.

Essa prática já é realidade nos EUA, Canadá e em alguns países da Europa, e a intenção é que seja gradualmente aceita pelos laboratórios de análises clínicas do País. Para facilitar essa transição, as Sociedades Médico-Laboratoriais detalharam as recomendações para o atendimento do paciente no estabelecimento e também para um modelo ideal de laudo laboratorial.
  • Quando o médico solicitante indicar o tempo específico de jejum para o exame requerido, é recomendável que o laboratório siga tal orientação.
  • No caso de uma coleta de amostra para o perfil lipídico sem jejum, é recomendado que o laboratório informe no laudo o estado metabólico do paciente no momento da coleta da amostra, isto é, o tempo de jejum.
  • Quando houver, na mesma solicitação de perfil lipídico, outros exames que necessitem de jejum prolongado, o laboratório clínico poderá definir o jejum de 12 horas neste caso, contemplando todos os exames.
  • Para alinhamento entre as instituições e profissionais envolvidos desde o pedido do exame até o diagnóstico, recomenda-se a inserção da seguinte frase no laudo: “A interpretação clínica dos resultados deverá levar em consideração o motivo da indicação do exame, o estado metabólico do paciente e a estratificação do risco para estabelecimento das metas terapêuticas”.
Os novos valores de referência e valores de alvo terapêutico para o perfil lipídico de adultos mostram que, com jejum e sem jejum, os valores são diferentes somente para os triglicérides e idênticos para o CT, HDL-C, LDL-C e não-HDL-C. Para crianças e adolescentes, os valores referenciais desejáveis de triglicérides, com jejum e sem jejum, também são os únicos com valores diferentes (Tabelas I e II).

tabela 1

tabela 2_2
Veja o Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico  na íntegra:



FONTE: SBAC - Sociedade Brasileira de Análises Clínicas

domingo, 26 de agosto de 2012

Programa paulista reduz impacto de exame em crianças

Mariana do Espírito Santo, 7, em tomógrafo no Instituto da Criança, em SP, com a mãe
 
Novo método adotado no Instituto da Criança do HC permite retirar menos sangue nos testes laboratoriais
Uso de tomógrafo que emite 70% menos radiação também faz parte do projeto, que servirá de modelo
 
CLÁUDIA COLLUCCI - SP

Menos exames, menos radiação, menos sangue coletado. Esse é o mote de um programa de humanização e segurança criado no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, que deve servir de modelo para outros hospitais infantis do SUS.

O projeto envolveu a adoção de um novo método de análise laboratorial, que diminuiu em até 75% o volume de sangue coletado nas crianças, e a compra de um tomógrafo que faz exame com 70% menos radiação.
Em alguns hospitais privados, como o Sabará (SP), essas tecnologias já existem.
O caso da pequena Alícia, de três meses, é um exemplo real do impacto da mudança. A menina nasceu com uma malformação no intestino e já precisou se submeter a nove coletas de sangue.
Se fosse pelo método convencional, teriam sido retirados 10,8 ml de sangue da garota. Com o micrométodo, que usa tubos com a metade do tamanho dos tradicionais, foram necessários 5,6 ml, uma redução de 48%.
Segundo Marcília Sierro Grassi, neonatologista da UTI do instituto, a mudança de método teve um impacto também no número de transfusões de sangue. "A Alícia só teve de fazer uma. Se fosse pelo método convencional, já teria precisado de mais."
Em crianças prematuras, as coletas de sangue para exames são as principais causas das transfusões. Um bebê de 1 kg tem 100 ml de sangue circulando no corpo, o que equivale a uma xícara.
"Em cada coleta, a gente tira 10% [desse volume]. Tem criança que precisa de duas, três coletas por dia", diz Magda Carneiro-Sampaio, professora titular do instituto e coordenadora do projeto.
O Instituto da Criança realiza cerca de 18,5 mil coletas de sangue por mês. Em 84% delas, será possível usar o micrométodo. O restante, exames mais complexos, demanda o método convencional.
TOMOGRAFIAS
Em relação às tomografias, além da compra do novo aparelho que emite menos radiação, o programa vai também motivar médicos a pedir o exame só em situações realmente necessárias.
Nos últimos anos, vários estudos vêm demonstrando uma relação direta da radiação de exames (raios-X e tomografias) ao aumento do risco de câncer, especialmente quando se trata de crianças.
Isso desencadeou um movimento mundial que defende a limitação de exames radiológicos na infância e a fabricação de equipamentos que minimizem a exposição à radiação ionizante.
"Tem muito diagnóstico que pode ser feito com ultrassom [que não emite a radiação]. Outros nem precisam de exames de imagem. Basta uma anamnese e um bom exame clínico", diz Magda.
É essa a mensagem que o programa também pretende propagar entre os residentes que atuam no instituto e no complexo HC.
"Os médicos deixaram de examinar, a população de deixou de acreditar nos médicos, e o exame tomou conta da clínica. Isso é uma inversão. A gente quer que o médico pare e pense: 'Será que um raio-X vai informar mais do que o meu estetoscópio está me dizendo?"
O cirurgião pediátrico Uenis Tannuri, professor da USP, vai ainda mais longe. "Eu brigo com os meus residentes. Ando com a pesquisa que relaciona radiação com câncer e fico mostrando para eles. Não deixo que peçam exames desnecessários. Esse pecado eu não vou levar para o túmulo."
Testes em miniatura
0,50 ml de sangue  é coletado para realizar um hemograma usando os instrumentos convencionais . 0,25 ml de sangue é coletado para o mesmo exame com o método especial para crianças
A REDUÇÃO É DE  50%  no volume coletado
100 ml  de sangue  é o total circulante em um bebê prematuro com 1 kg. 2,8 ml  de sangue  são coletados para a realização de um exame que avalia a coagulação. 0,8 ml de sangue  é retirado usando o micrométodo, que usa tubos e uma máquina especial
A REDUÇÃO É DE  71,4% no volume coletado
84%  dos 18,5 mil testes de sangue  feitos por mês no Instituto da Criança poderão usar o método.
Fonte: Folha de São Paulo – sábado, 25 de agosto de 2012
Imagem: Karime Xavier/Folhapress

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Exame de sangue pode detectar mal de Parkinson


Pesquisadores da Universidade de Lancaster afirmam que baixos níveis de uma proteína no sangue pode ser um indicador precoce da doença.

Não existe um teste específico para identificar o mal de Parkinson, doença neurológica que afeta os movimentos. O diagnóstico é feito pela exclusão de outras doenças. Um novo estudo, realizado por cientistas do Reino Unido, pode dar pistas sobre como detectar o Parkinson nos estágios iniciais da doença. Os pesquisadores perceberam que baixos níveis no sangue de uma proteína chamada alfa-sinucleína fosforilada (PAS) estão relacionados ao aparecimento da doença.
A equipe da Universidade Lancaster, liderada pelo biomédico David Allsop, estudou um grupo de pessoas com Parkinson e um outro grupo com pessoas saudáveis da mesma idade. O estudo, publicado no jornal da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental, mostrou que o grupo com a doença de Parkinson apresentou altos níveis da substância PAS no sangue. “Um exame de sangue para a doença de Parkinson significa saber se uma pessoa tem risco de desenvolver a doença antes que os sintomas comecem”, afirma Allsop. Por enquanto, o teste é só uma ideia. Outros estudos precisam replicar os resultados encontrados pelos pesquisadores britânicos e parâmetros sobre os níveis da proteína precisam ser determinados.
O distúrbio se desenvolve quando neurônios da área do cérebro denominada substância negra (ou substância nigra) morrem ou deixam de funcionar. Essa região do cérebro produz uma substância chamada dopamina, que é um importante mensageiro químico, ou neurotransmissor. A doença de Parkinson costuma aparecer em maior número em pessoas acima de 50 anos. Os sintomas mais comuns são tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos, desequilíbrio, além de alterar a fala e a escrita. O Mal de Parkinson foi descrito pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson.

Milhões de pessoas ao sofrem com a mal de Parkinson. No final de sua vida o papa João Paulo II mostrou desenvolvimento lento e progressivo da doença. O ex-lutador Muhammad Ali e o ator Michael J. Fox também sofrem de Parkinson. No Brasil, segundo estimativas da Associação Brasileira de Parkinson, existem 200 mil pessoas com a doença.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Saude-e-bem-estar/noticia/2011/12/exame-de-sangue-pode-detectar-o-mal-de-parkinson.html
Foto: Wojciech Wolak/stock.xchng
Alexandre de Melo