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sábado, 24 de março de 2018
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Novas estratégias contra a Aids
Em macacos, anticorpos detiveram a replicação do HIV
© HIVR4P

Anthony Fauci apresentou os resultados de experimentos que podem levar a uma nova estratégia de tratamento e prevenção da AIDS
de Chicago
No final da tarde de segunda-feira, dia 17, diante de uma plateia de
quase 2 mil pessoas, Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de
Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), apresentou os resultados de
experimentos realizados por sua equipe, em colaboração com outros
centros de pesquisa dos Estados Unidos, que podem levar a uma nova
estratégia de tratamento e prevenção da AIDS. É o uso de anticorpos que
bloqueiam a ação da integrina α4β7, uma proteína que controla a ação de
células do sangue conhecidas como CD4, importante no combate ao vírus
HIV.
“Ainda não é a cura, mas conseguimos deter a replicação do vírus”,
disse ele em sua apresentação na primeira sessão plenária do Congresso
HIV Research for Prevention (HIVR4P),
que seguirá até sexta, dia 21, em Chicago, nos Estados Unidos. Se
avançar como esperado, essa estratégia poderia resolver ou amenizar um
problema do tratamento de pessoas com HIV/AIDS: os medicamentos
antivirais eliminam com eficácia a replicação do HIV, mas o vírus volta a
se replicar logo depois de a medicação ser interrompida.
As conclusões que ele apresentou baseiam-se em um estudo realizado com 15 macacos e publicado em 14 de outubro na Science.
Durante 90 dias, contados a partir da quinta semana após a infecção,
sete animais receberam uma medicação antiviral (imunoglobuina G) e oito,
o anticorpo. Depois desse período, o HIV voltou a se multiplicar nos
animais que receberam antiviral, enquanto os do grupo não apresentaram
sinais de aumento da carga viral mesmo depois de nove meses depois da
interrupção do tratamento.
“É uma prova de conceito em modelos animais, e estamos planejando agora uma prova de conceito em seres humanos”, disse ele a Pesquisa FAPESP,
após a apresentação. Por ser a avaliação de uma hipótese – uma prova de
conceito –, em geral não se sabe se a proposta é factível, mas neste
caso os pesquisadores tiveram sorte. O anticorpo foi aprovado pela
Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos em 2014 com
o nome de vedolizumab, para tratamento de doenças inflamatórias
intestinais.
“Temos de avaliar a segurança e a eficácia da droga com muito
cuidado, porque foi aprovada contra colite, não contra Aids”, disse
Fauci. O NIAID está planejando um teste clínico com 17 a 27 pessoas com HIV para
verificar se seria possível obter os mesmos resultados obtidos em
macacos. Se der certo, segundo Fauci, a etapa seguinte seria um teste em
escala maior, com centenas de participantes.
Em 30 anos, a Aids deixou de ser uma doença fatal e se tornou
tratável, mas a transmissão do vírus continua crescendo. Os 28 países da
Comunidade Europeia registraram quase 30 mil novos casos por ano, com
crescimento da transmissão entre homens (+44% de 2005 a 2014) e redução
da transmissão heterossexual (-33%, no mesmo período), segundo Ruxandra
Draghia-Akli, diretora geral de Pesquisa e Inovação da Comissão
Europeia. “Um programa de prevenção com o grupo de homens que fazem sexo
com homens deveria ser prioridade na Europa”, disse ela.
Nos Estados Unidos, registram-se cerca de 50 mil novos casos por ano e
no Brasil, cerca de 40 mil. No mundo todo, 28 milhões de pessoas
recebem o diagnóstico positivo para HIV a cada ano.
“Os medicamentos de ação prolongada serão muito importantes para
tratar e prevenir a Aids”, disse Myron Cohen, diretor do Institute for
Global Health and Infectious Diseases. Até o momento, nenhuma das
vacinas previstas funcionou de modo satisfatório, embora outras
estratégias, como os medicamentos profiláticos e dispositivos como os
aneis vaginais com microbicina, estejam sendo avaliados e debatidos no
congresso de Chicago.
Artigo científico
Siddappa N. Byrareddy, S.N. et al. Sustained virologic control in SIV+ macaques after antiretroviral and α4β7 antibody therapy. Science , v. 354, n. 6309, p. 197-202, 2016.
Siddappa N. Byrareddy, S.N. et al. Sustained virologic control in SIV+ macaques after antiretroviral and α4β7 antibody therapy. Science , v. 354, n. 6309, p. 197-202, 2016.
Fonte: Revista Fapesp on line 2016
Por CARLOS FIORAVANTI
terça-feira, 7 de maio de 2013
Medicamento anti-HIV é obtido de soja transgênica
Remédio
na planta
O uso
milenar de plantas para aliviar doenças ganha outras formas sob o domínio da
biotecnologia. Dezenas de experimentos em todo o mundo, em empresas ou
instituições acadêmicas, utilizam técnicas de inserção de genes em genomas de
plantas que possam codificar enzimas de interesse farmacológico. Assim é
possível que o cultivo de soja, milho e batata ou mesmo plantas ornamentais
possa no futuro ser usado em larga escala, em versões transgênicas, para a
produção de medicamentos. Um exemplo desses experimentos que acontecem no
Brasil, na unidade de Recursos Genéticos da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), em Brasília, é o desenvolvimento de uma variedade de
soja com um viricida ou microbicida, capaz de prevenir a contaminação pelo
vírus causador da Aids. Com a ajuda da engenharia genética, essa leguminosa
está produzindo sementes, em uma estufa na capital federal, com a enzima
cianovirina-N que já teve comprovada sua eficácia contra o vírus em testes
laboratoriais em estudos pré-clínicos.
Esse tipo de experimento ganhou força em maio de
2012, quando a Food and Drug Administration (FDA), a agência federal
norte-americana de regulação de medicamentos e alimentos, aprovou para uso
comercial o primeiro fármaco produzido com engenharia genética em células de
plantas para seres humanos. O princípio ativo é a proteína taliglucerase alfa,
produzida em células de cenoura transgênica para tratamento da doença de
Gaucher, uma enfermidade genética e rara provocada pela falta no
organismo da glucocerebrosidase, uma enzima atuante no processamento de
glicocerebrosídeos, um tipo de gordura celular. O paciente tem anemia e
aumento do baço e do fígado. O medicamento desenvolvido e produzido pela
empresa israelense Protalix, e distribuído em parceria com a norte-americana
Pfizer, foi também aprovado em Israel e no Brasil, pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), em março deste ano, com o nome de Uplyso. O
tratamento até agora era feito com outro fármaco em que a proteína é produzida
em linhagens de células modificadas de hamsters, num processo
biotecnológico que está mais sujeito a contaminações.
A proteína sintetizada na cenoura é similar à
produzida pelo próprio organismo humano. No caso da cianovirina a história é
diferente. Ela foi isolada na década de 1990 de uma cianobactéria, que leva o
nome científico de Nostoc ellipsosporum, em pesquisas do Instituto
Nacional de Câncer (NCI, na sigla em inglês) e dos Institutos Nacionais de
Saúde (NIH) dos Estados Unidos. As cianobactérias são bactérias azuis e
chamadas erroneamente de algas azuis. Pesquisadores dos NIH e da Universidade
de Londres, na Inglaterra, idealizaram um gel com a cianovirina para ser
aplicado antes das relações sexuais. O princípio ativo inibe a replicação do
HIV ao se ligar aos oligossacarídeos (açúcares) do vírus. “A cionovirina-N está
no estágio de desenvolvimento pré-clínico, portanto ainda não foi testada em
seres humanos”, diz o pesquisador Barry O’Keefe, vice-chefe de biologia
molecular do laboratório de alvos moleculares do NCI. Ele liderou um estudo
publicado em 2003 que demonstrou a atividade da proteína também contra alguns
vírus da gripe (influenza A e B) e participa dos estudos para o
desenvolvimento da cianovirina. “Falta um meio comercialmente viável, de baixo
custo, de produção em larga escala da cianovirina-N, e as plantas são um bom
caminho para esse fim”, diz O’Keefe.
Obter a proteína em grande quantidade foi a dificuldade
inicial dos pesquisadores norte-americanos logo depois dos estudos
laboratoriais que indicaram as atividades contra alguns tipos de vírus. Os NIH
tentaram a produção via DNA recombinante, em que o gene codificador da proteína
é inserido no genoma de outra bactéria mais fácil de cultivar, a Escherichia
coli, para a posterior extração da substância. Mas a produção foi baixa e
se mostrou economicamente inviável. A solução encontrada pelo pessoal dos NIH,
liderado por O’Keefe, foi procurar o professor Elíbio Rech, da Embrapa,
coordenador do grupo brasileiro que havia depositado uma patente no exterior,
de uma técnica para inserção de genes em soja, e tinha experiência no
desenvolvimento de culturas transgênicas. “Os norte-americanos nos procuraram
em 2007 e fizemos a parceria. Eles nos repassaram a sequencia genética
codificadora do gene que inserimos no genoma de uma variedade de soja da
Embrapa, a 10-16. E deu certo, já temos as sementes das plantas engenheiradas
por nós produzindo a cianovirina”, diz Rech. Eles isolaram o princípio ativo da
soja. O ensaio viral para a confirmação da ação da cianovirina produzida pela
Embrapa foi feito pelo professor Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), e também no laboratório de O’Keefe, nos Estados Unidos. E o
resultado foi positivo.
O desafio atual é melhorar o processo de extração
da proteína, purificando quantidades maiores da cianovirina das sementes de
soja. “Nossos resultados apontaram a presença de 10 gramas (g) da proteína por
quilo de sementes frescas. Sabemos que não podemos tirar os 100% de fármaco do
grão da leguminosa porque é normal que ocorram perdas no processo de
purificação. Até agora já atingimos os 20%, ou 2 g, e nossa meta é atingir
50%”, diz Rech. O processo de purificação de proteína é trabalhoso, exige
várias fases. No caso da Embrapa, a purificação está sendo realizada com
resinas. Conforme o óleo de soja passa por um processo semelhante a uma
filtração em que as resinas fazem o papel de filtros, as proteínas contidas na
soja vão se dissolvendo, inclusive a cianovirina.
“Nossa intenção é produzir uma quantidade
suficiente da proteína para testar o principio ativo em macacas nos Estados
Unidos, e posteriormente em seres humanos”, explica Rech. O propósito do
trabalho dos NIH, da Universidade de Londres e do Conselho para a Pesquisa
Científica e Industrial (Csir Biosciences) da África do Sul, que são grupos que
participam da pesquisa, é levar o gel para o continente africano, onde a
transmissão de Aids ainda é grande. A produção da cianovirina também está sendo
testada em plantas de tabaco na Inglaterra, na Universidade de Londres, e nos
Estados Unidos. “No tabaco, o medicamento não está apenas nas sementes, mas se
expressa na planta toda. Na África, sob a liderança da pesquisadora Rachel
Chikwamba, do Csir, os experimentos também seguem o caminho de produzir a
cianovirina em soja e em tabaco, mas ainda não obtiveram sucesso”, diz Rech.
Outra conquista da Embrapa em Brasília foi o
desenvolvimento de algumas linhagens de soja transgênica que produzem em suas
células o fator IX de coagulação, um componente existente no sangue humano cuja
falta é uma das causas da hemofilia, doença genética em que a pessoa sofre
problemas na cicatrização e na contenção de hemorragias. Ele é produzido
atualmente de plasma sanguíneo, a partir do sangue doado nos hospitais, ou em
cultura de células de camundongos por meio da inserção no genoma do roedor do
gene que codifica a proteína do fator IX. “Há um gargalo também no
desenvolvimento de sistemas de purificação mais eficientes e produtivos”, diz
Rech. “Terminamos essa soja com fator IX no ano passado depois de cinco anos,
testamos a molécula presente nas sementes e agora repassamos o material para a
Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP)],
parceira do projeto, para a sequência da fase de purificação da molécula.”
“Recebemos 360 g de soja liofilizada transgênica e
já foram feitos os testes que mostram a presença dessa proteína, o fator IX.
Agora, como assumi o cargo de professora do Departamento de Genética da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, esses estudos estão sob a
coordenação dos professores Dimas Tadeu Covas e Lewis Joel Greene, do
Hemocentro de Ribeirão Preto”, diz a bióloga Aparecida Maria Fontes, que era
pesquisadora do Hemocentro e parceira na pesquisa. “A produção de fator IX em
planta é muito importante porque, além de não se utilizar o material dos bancos
de sangue que é escasso, cria-se uma alternativa com outro veículo de produção.
Até o momento, a única molécula do fator IX produzida com técnicas
biotecnológicas é elaborada em células de hamsters”, diz Aparecida.
Em todas as pesquisas e mesmo em futuras plantações
de soja transgênica, que vão produzir medicamentos, são levadas em conta várias
iniciativas de biossegurança. “As plantas são produzidas sob contenção, em casas
de vegetação [estufas] totalmente teladas. Isso acontece para evitar situações
que são até muito difíceis de acontecer como, por exemplo, que um pássaro pegue
uma semente e leve para outro lugar onde a soja germine e alguém possa comer as
sementes. Não é veneno, mas devemos lidar com essas plantas como fonte de
medicamento, de forma diferente da soja usada na alimentação. As plantações
futuras também deverão ser cercadas, de modo a que nenhum estranho tenha
acesso”, diz Rech.
Entre as vantagens da geração de fármacos em
plantas estão os custos mais baixos, com produção de larga escala e também com
a segurança se comparada com células humanas, fungos, bactérias e animais.
“Também é mais fácil de manipular o produto agrícola. A vantagem da soja ou de
outro vegetal é que podemos colher e estocar”, diz Rech. Em um artigo publicado
na revista Nature em 2012 (10 de maio) na seção News in Focus, que
comentou a aprovação para uso comercial do medicamento para doença de Gaucher
produzido com cenouras, o autor, Amy Maxmen, diz que o Elelyso, ou Uplyso,
remédio aprovado pela FDA, pode ser vendido por 75% do valor do medicamento
tradicional, o Cerezyme, produzido com células de hamsters. O tratamento
tradicional pode custar até US$ 300 mil por ano por paciente. Maxmen informa
que o mercado global de fármacos de produtos biotecnológicos alcançou a marca
de US$ 149 bilhões em 2010. “O futuro dos métodos de produção à base de plantas
é muito promissor para os biofarmacêuticos. É um momento muito emocionante para
quem trabalha com esse tipo de pesquisa”, diz O’Keefe à Pesquisa FAPESP.
“Elibio Rech e seus colegas na Embrapa fazem parte de uma indústria crescente
de grande importância para o futuro.”
Fonte: Revista Fapesp online abril/2013
Por: Marcos de Oliveira
Artigos científicos
O’Keefe, B.R. et al. Potent Anti-Influenza Activity of Cyanovirin-N and Interactions with Viral Hemagglutinin. Antimicrobial Agents and Chemotherapy. v. 47, n. 8, p. 2.518-25. ago. 2003.
O’Keefe, B.R. et al. Potent Anti-Influenza Activity of Cyanovirin-N and Interactions with Viral Hemagglutinin. Antimicrobial Agents and Chemotherapy. v. 47, n. 8, p. 2.518-25. ago. 2003.
Rech, E.L. et al. High-efficiency transformation by biolistics of soybean, common bean and cotton transgenic plants. Nature Protocols. v.3, n. 3, p. 410-18. fev. 2008.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Penicilina deu impulso à revolução sexual, diz estudo
Na década de 1960, a pílula
anticoncepcional quase que eliminou o risco de gestações indesejadas, criando a
era do "amor livre" e a revolução sexual no Ocidente --frutos também
de mudanças culturais.
Mas um novo estudo mostra que
a tal revolução começou anos antes, graças ao uso disseminado da penicilina
para combater a sífilis --doença venérea que chegou a ser proporcionalmente tão
letal quanto a Aids seria depois.
Os dados coletados pelo
economista Andrew Francis são persuasivos. Francis, professor da Universidade
Emory, de Atlanta, no sul dos EUA, publicou sua análise na revista científica
"Archives of Sexual Behavior".
CURA FÁCIL
É simples. A penicilina
reduziu muito o risco de morrer de sífilis. Quem pegava a doença podia ser
facilmente curado. E quanto maior e melhor a chance de fazer sexo
"arriscado", fora do casamento, com estranhos, na adolescência, mais
as pessoas procuravam a atividade.
Francis, um economista,
compara a atitude das pessoas com a clássica lei da oferta e da procura. O
custo da mercadoria baixou? As pessoas compram mais. Também vale para o sexo.
Em uma década, entre o fim dos
anos 1940 e os anos 1950, a incidência de sífilis caiu 95% e a mortalidade pela
doença despencou 75%, enquanto as taxas de nascimentos de bebês concebidos fora
do casamento, a gravidez na adolescência e a incidência da gonorreia
--indicadores usados pelo pesquisador para detectar o comportamento sexual mais
liberal-- subiam nos EUA.
Para Francis, essa mudança de
atitude pode ter surgido por esses homens acharem que o risco de transmissão é
menor por causa da terapia antirretroviral ou pela crença de que contrair o HIV
não é mais temível porque os remédios prolongam a expectativa de vida das
pessoas infectadas com o vírus.
O economista diz que a
penicilina pode ter tido um efeito similar no comportamento sexual e, portanto,
a propagação do HIV década atrás pode ter sido facilitada pelo colapso da
sífilis.
Apesar de o trabalho só ter
usado números dos Estados Unidos, Francis acredita que suas conclusões se
aplicam a outros países.
"Certamente o colapso da
sífilis por causa da penicilina é um fator importante por trás da mudança de
comportamento sexual outras regiões", disse o economista à Folha.
Fonte: Folha de São
Paulo on line
Por: Ricardo
Bonalume Neto
Imgem: Lydia
Megumi/Editoria de Arte/Folhapress
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Detecção do vírus HIV em teste nacional é falha
Atrasado na sua implantação há dez anos, o teste de sangue fabricado pelo governo brasileiro (NAT) e já utilizado no SUS para a detecção precoce do vírus HIV e da hepatite C tem falhas, segundo hematologistas brasileiros.
O teste NAT (ácido nucleico) reconhece o
material genético do vírus e detecta a sua presença mais cedo no organismo do
que o convencional (Elisa). O nacional é feito pelo instituto Bio-Manguinhos,
da Fiocruz. Os comerciais são da Roche e da Novartis.
O alerta foi feito durante congresso da
ABHH (Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular). Os
médicos devem pedir que o Ministério da Saúde interrompa a distribuição do
teste nacional NAT até que as falhas sejam corrigidas.
Segundo Dante Langhi Junior, diretor da
ABHH e médico do hemocentro da Santa Casa de São Paulo, vários serviços
relataram problemas. "A gente testa com o Elisa e dá positivo [para Aids
ou hepatite], depois testa com o NAT do governo e dá negativo. Volta a testar a
mesma amostra com o NAT comercial e dá positivo. O teste do governo não garante
a segurança a que ele se propõe."
Não há notícias, porém, de que tenha havido
contaminação por conta dessas falhas.
Em 12 amostras de sangue testadas pelo
Hemocentro de Ribeirão Preto, ligado à USP, o NAT nacional não detectou o HIV
em oito delas. "Ele falha numa grande proporção dos casos", diz o
diretor Dimas Tadeu Costa.
Segundo ele, a sensibilidade do teste é
estimada em 30 partículas virais. Mas o NAT nacional só conseguiu perceber a
presença do HIV quando havia 500 partículas. "Isso é que faz a diferença
na janela imunológica. Quanto menos vírus se consegue detectar, maior é a
segurança da transfusão." Ele decidiu não usar mais o NAT nacional.
"Não existe transfusão com risco zero.
Mas, se temos testes que comprovadamente minimizam os riscos de transmissão de
doenças, temos obrigação legal de utilizá-los", afirma Langhi Junior.
Na opinião de José Augusto Barreto,
superintendente da Colsan (Associação Beneficiente de Coleta de Sangue), o
ministério se precipitou em incluir o teste na rotina.
OUTRO LADO
Durante o congresso, o coordenador da área
de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, disse que
o teste está em fase de desenvolvimento e que os problemas são "totalmente
solucionáveis".
"Temos soluções tecnológicas e
ajustes, mas nenhum problema que invalide o teste", afirmou. Ele garantiu
ainda que esses ajustes acontecerão até a publicação da portaria, que tornará o
teste obrigatório, prevista para sair até o final do mês.
Fonte: Folha de São Paulo - 13/11/ 2012
Cláudia Collucci - ENVIADA ESPECIAL AO RIO DE JANEIRO
Ayrton Vignola - 25.fev.2005/Folhapress
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