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domingo, 18 de maio de 2014

Depressão por inflamação: Processos imunológicos desregulados podem estar relacionados a uma parcela dos casos de depressão


© DANIEL KONDO

Pesquisas recentes indicam que a perda da capacidade de regular adequadamente processos inflamatórios, desencadeados por diferentes formas de estresse físico ou mental, pode ser um dos fatores associados à ocorrência e à manutenção de um quadro de depressão em certas pessoas. Há também indícios preliminares de que pacientes cujo sangue apresenta altos índices de proteínas ligadas à ativação excessiva do sistema imunológico respondem de maneira menos adequada – quando respondem – aos remédios usualmente empregados contra esse problema psiquiátrico. Os fatores listados como possíveis causas de uma desregulação do sistema imunológico vão desde os conhecidos eventos traumáticos, como a morte de um parente próximo ou a notícia de uma doença grave, até hábitos ligados ao estilo de vida, caso da falta de exercícios físicos e da obesidade.
 
Em um trabalho publicado em janeiro deste ano na revista Translational Psychiatry, a equipe da bioquímica brasileira Livia A. Carvalho, do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública do University College London (UCL), constatou que 44 de 47 genes ligados à resposta anti-inflamatória apresentavam um padrão elevado de ativação no tipo mais comum de leucócitos, as células brancas de defesa do organismo, de pacientes com depressão severa que não tomavam medicamentos. Dois genes associados aos receptores de glicocorticoides (cortisol), hormônios importantes para regular o funcionamento do sistema imunológico e a resposta ao estresse, se mostraram pouco ativos nas pessoas com problemas psiquiátricos. O estudo comparou a expressão dos genes em 47 pessoas com depressão e 42 indivíduos saudáveis. “É possível que cerca de 30% dos casos de depressão estejam ligados a processos que envolvam uma inflamação pequena, mas crônica”, diz Livia. Essa inflamação pode alterar o estado mental de algumas pessoas mais suscetíveis porque provocam, entre outras alterações, modificações na produção de neurotransmissores, como a serotonina, importantes para o bem-estar cerebral.

Outro artigo recente da pesquisadora sugere que algumas pessoas com o sistema inflamatório excessivamente requisitado são pouco beneficiadas pelo uso de antidepressivos. Ela e colegas ingleses mediram os níveis de cortisol e de vários tipos de citosinas, pequenas proteínas que estimulam ou inibem a resposta inflamatória do organismo, no sangue de 19 pacientes com depressão que não se beneficiavam adequadamente do tratamento médico e de 21 pessoas sem problemas psiquiátricos. Os resultados do trabalho, que ganhou as páginas do Journal of Affective Disorders no final de 2012, indicam que as pessoas continuamente deprimidas apresentam concentrações mais elevadas de cortisol e de citosinas que estimulam a resposta do sistema imunológico. Talvez seja por isso, diz Livia, que os antidepressivos sejam pouco eficazes para minorar os sintomas de depressão em certos indivíduos.

O grupo da brasileira radicada em Londres é um dos que mais têm se dedicado a pesquisar se a inflamação é um dos mecanismos pelos quais o estresse psicológico desencadeia diversos tipos de doença, como depressão, problemas cardiovasculares e processos ligados ao envelhecimento precoce. Mas obviamente não é o único. Embora a esquizofrenia seja o foco central dos trabalhos de Daniel Martins de Souza, do Departamento de Bioquímica do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), alguns de seus estudos mais recentes do proteoma (o conjunto de proteínas produzido por um organismo) tiveram como foco a depressão. Esses trabalhos também sugerem que moléculas fundamentais para o processo de inflamação parecem ter um papel importante em modular a eficácia ou não dos medicamentos contra a depressão.

Em artigo publicado em fevereiro deste ano no periódico Biological Psychiatry, Souza mostra que as proteínas integrina (fundamental para a resposta inflamatória) e ras (produzida por gene associado a certos tipos de câncer) apresentaram níveis mais elevados em pacientes com depressão que não melhoraram após terem sido tratados com antidepressivos do que em pessoas que se beneficiaram do uso dos medicamentos. “Estamos procurando marcadores biológicos que possam indicar se o paciente vai responder ou não ao tratamento”, afirma Souza, que retornou ao Brasil no início de 2014 após ter trabalhado por dois anos no Departamento de Psiquiatria da Ludwig Maximilians Universität (LMU) e ter sido colaborador no Instituto Max Planck de Psiquiatria, ambos em Munique.

© KERRY HYNDMAN / GETTYIMAGES
Dieta mediterrânea: frutas, legumes e azeite em teste contra a inflamação
Dieta mediterrânea: frutas, legumes e azeite em teste contra a inflamação

O trabalho analisou as concentrações de 1.919 proteínas presentes nos leucócitos de 20 pacientes com depressão crônica que participavam de um estudo tocado pelas instituições alemãs. Os níveis das moléculas foram medidos no momento em que os pacientes deram entrada no hospital da universidade e após terem recebido antidepressivos por seis semanas. Cerca de 30 proteínas apresentaram níveis distintos antes e depois de as pessoas começarem a ser medicadas. Entre as pessoas que melhoraram sua condição psiquiátrica com a medicação, os pesquisadores viram que a concentração da maioria das proteínas diminuiu depois de 42 dias de tratamento. O oposto ocorreu com os indivíduos que não responderam ao tratamento com antidepressivos. Nesses pacientes, os níveis das proteínas se elevaram. “Nossos dados sugerem que os antidepressivos afetam processos biológicos similares nas pessoas que respondem e nas que não respondem ao tratamento, mas em direções opostas”, diz Souza, que toca um projeto de Jovem Pesquisador financiado pela FAPESP na área de neuroproteômica e doenças psiquiátricas.

Além de entender o papel dos processos inflamatórios no desencadeamento da depressão, trabalhos como os de Livia, Souza e de outros pesquisadores perseguem também o objetivo de encontrar marcadores moleculares que indiquem se uma pessoa deprimida tende a melhorar se tomar antidepressivos. “O ideal era termos um teste de sangue que mostrasse se o paciente vai reagir ao tratamento”, diz Livia, que, desde 2008, investiga se citosinas inflamatórias, como a interleucina 6, podem ser esse marcador. Estudos feitos no UCL indicam que essa substância, produzida em situações de perigo e de estresse e capaz de alterar o funcionamento do cérebro, apresenta níveis elevados em pacientes com depressão. “Alguns trabalhos sugerem até que a interleucina 6 pode ser útil para prever quem desenvolverá quadros de depressão no futuro”, afirma a pesquisadora.

Outra molécula que pode ser útil para prever a eficácia do uso de antidepressivos é o fibrinogênio, proteína fundamental para a coagulação do sangue. Um estudo recente de Souza, também feito quando ainda estava na Alemanha, detectou concentrações mais altas dessa proteína em pacientes que não responderam ao tratamento do que nos que responderam. “Encontramos um candidato a marcador para a resposta ao uso de antidepressivos”, afirma Souza. “Como dois terços dos pacientes não respondem às primeiras tentativas de tratamento, seria ótimo identificar os que têm níveis altos de fibrinogênio e pensar em terapias alternativas.” Se uma resposta imunológica exacerbada pode ser uma das causas de problemas psiquiátricos, combater a inflamação pode ser uma abordagem complementar ao emprego de antidepressivos. Por isso há estudos que testam até o emprego da aspirina ou de dietas anti-inflamatórias, como a mediterrânea (rica em vegetais, frutas, azeite e com pouca carne vermelha), como terapias suplementares contra a depressão.

Estresse, sono e envelhecimento
Uma das vantagens dos trabalhos de Livia na Inglaterra é contar com um grupo de mais de 10 mil pessoas de meia-idade e idosos cujo estado de saúde, inclusive o psiquiátrico, vem sendo acompanhado por pesquisadores do University College London. Trata-se do estudo epidemiológico Whitehall II. Esse contingente de homens e mulheres, que tinham entre 35 e 55 anos de idade no início do estudo, forneceu subgrupos de pacientes que permitiram à pesquisadora brasileira e seus colegas ingleses realizar uma série de estudos relacionando estresse/inflamação à depressão e também a outras doenças.
Cristais de serotonina: inflamação pode alterar produção de neurotransmissores
Cristais de serotonina: inflamação pode alterar produção de neurotransmissores
© ASIEKA / SCIENCE PHOTO LIBRARY

Um desses trabalhos recentes, publicado em março deste ano na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostra que homens saudáveis, com idade entre 54 e 76 anos, expostos a estresse psicológico contínuo – com poucos amigos, pessimistas diante da vida e personalidade agressiva – apresentam telômeros menores e produzem uma forma menos funcional da enzima que repara essa estrutura celular. A redução no tamanho dos telômeros, que protegem a ponta dos cromossomos, é interpretada como um indicador do processo de envelhecimento celular. Telômeros menores são um sinal de degradação biológica. “O estresse psicológico parece acelerar o processo de envelhecimento, em parte por desencadear uma inflamação crônica”, afirma Livia. Há dois anos, em outro artigo no mesmo periódico, Livia e colegas já haviam mostrado que homens que dormiam cinco ou menos horas por dia apresentavam telômeros 6% menores do que os que tinham sete horas diárias de sono. Em ambos os trabalhos as alterações nos telômeros não foram encontradas nas mulheres que participaram dos estudos. Isso talvez se deva ao fato de as mulheres, devido a suas peculiaridades hormonais, responderem ao estresse de forma diferente dos homens.

Boa parte dos trabalhos que relacionam depressão a diferentes formas de inflamação é feita em adultos de meia-idade ou idosos. Livia se associou recentemente a grupos de pesquisa de universidades brasileiras para estudar esse tema em populações mais jovens e de perfil distinto. A equipe da pediatra Heloisa Bettiol, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, mediu os níveis de 42 citosinas, ligadas ao processo inflamatório, em um grupo de 1.400 gestantes que já vinham sendo acompanhadas pelos pesquisadores da universidade. Um dos objetivos é ver se mães com altos índices de proteínas inflamatórias teriam maior propensão a ter depressão durante a gravidez ou após o parto. “Ainda estamos tabulando os dados e em breve teremos dados sobre essa questão”, diz Heloisa.

A professora Kênia Mara Baiocchi de Carvalho, da Universidade de Brasília (Unb), aproveitou os trabalhos regionais de um grande estudo nacional sobre a saúde dos adolescentes de 12 a 17 anos, o projeto Erica, para analisar a presença de proteínas ligadas à inflamação no sangue de 1.400 jovens da capital federal. “Não aplicamos um teste para ver se eles estavam deprimidos, mas algumas perguntas feitas no estudo podem nos dar uma ideia de se os adolescentes estavam submetidos a estresse psicológico”, diz Kênia. Como no caso de Heloisa, os dados ainda estão sendo analisados. Mas, se tudo der certo, novas informações sobre possíveis ligações entre  estresse/inflamação e depressão na população brasileira devem ser divulgadas.

Projeto
Desenvolvimento de um teste preditivo para medicação bem-sucedida e compreensão das bases moleculares da esquizofrenia através da proteômica (nº 13/08711-3); Modalidade Programa Jovem pesquisador; Pesquisador responsável Daniel Martins de Souza (IB-Unicamp); Investimento R$ 926.108,49 (FAPESP).

Fonte: Revista Fapesp - edição 219 / 2014

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sonhando acordado



Durante o surto de psicose, cérebro apresenta padrão de atividade elétrica semelhante ao observado nos sonhos 

Imagem feita por microscópio eletrônico do hipocampo do cérebro humano
 Pesquisadores brasileiros começam a identificar alterações no funcionamento do cérebro que podem estar na origem dos delírios e das alucinações que caracterizam os surtos de psicose, comuns em transtornos mentais como a esquizofrenia. Em experimentos realizados com ratos, o grupo coordenado pelo neurocientista Adriano Tort da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) verificou que a atividade elétrica cerebral durante os surtos psicóticos é semelhante à observada no chamado sono REM, a fase em que ocorrem os sonhos. “Esse resultado nos leva a suspeitar de que os surtos psicóticos tenham alguma relação com os eventos oníricos”, conta o biólogo Fábio Viegas Caixeta, integrante da equipe de Tort no Instituto do Cérebro da UFRN e primeiro autor desse trabalho, publicado na edição de 2 de agosto da revista Scientific Reports.

Quando se está acordado, o cérebro é tomado por correntes elétricas que oscilam rapidamente, entre 10 e 100 vezes por segundo. Durante o sono REM, esses pulsos elétricos de alta frequência dão lugar a outros mais lentos – são as chamadas ondas teta –, que se repetem entre 5 e 10 vezes por segundo e intensificam pulsos ultrarrápidos, com frequência de 110 a 160 vezes por segundo. Os pesquisadores da UFRN registraram essa mesma combinação de pulsos lentos e ultrarrápidos no hipocampo de um grupo de ratos tratados com cetamina, um anestésico que em doses baixas causam nos seres humanos delírios e alucinações idênticos aos da psicose.

A observação de padrão elétrico incomum no estado de vigília pode indicar o funcionamento inadequado do hipocampo, região profunda do cérebro associada ao aprendizado, à memória, à tomada de decisão e à integração da informação captada por diferentes órgãos do sentido. Se for confirmado por outros estudos, esse achado corrobora uma antiga suspeita da medicina: a de que há algo de errado com o hipocampo na esquizofrenia. “Falhas na integração das informações sensoriais são uma origem provável dos delírios e das alucinações”, diz Caixeta.

Caso os registros da atividade elétrica do cérebro forneçam, de fato, uma boa representação do funcionamento desse órgão complexo e pouco conhecido, os resultados da Scientific Reports podem reforçar também uma ideia proposta há algumas décadas pela psicanálise e pela psicologia: haveria uma causa comum à falta de coerência lógica entre as ideias apresentadas nos sonhos e à confusão mental característica dos delírios e à convicção nos eventos irreais típica da alucinação. Dito de forma simples: passar por um surto psicótico seria semelhante a sonhar acordado.

“Os resultados desse trabalho nos aproximam de compreender os mecanismos biológicos associados aos episódios de psicose, característicos de transtornos mentais como a esquizofrenia”, explica Tort. “Esse conhecimento é fundamental para que se possam desenvolver tratamentos capazes de atuar sobre a origem do problema e não apenas sobre seus sintomas”, afirma o pesquisador. Anos atrás, quando ainda era pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond & Lily Safra, Tort já havia demonstrado a influência das ondas teta sobre a intensidade dos pulsos mais rápidos (ondas gama) em duas atividades fundamentais do hipocampo: a recordação de uma memória e a tomada de decisão.

Artigo científico
CAIXETA, F.V. et al. Ketamine alters oscillatory coupling in the hippocampus
. Scientific Reports. 2 ago. 2013. 

FONTE: REVISTA FAPESP
RICARDO ZORZETTO | Edição Online agosto de 2013
IMAGEM: © METHOXYROXY / WIKIMEDIA

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Piora do sono com a idade prejudica a memória, diz estudo


Há décadas os cientistas sabem que a capacidade de recordar informações novas entra em declínio com a idade, mas não era claro por quê. Um novo estudo traz parte da resposta.

O trabalho, publicado neste domingo (27) na revista "Nature Neuroscience", sugere que mudanças estruturais no cérebro que acontecem naturalmente com a idade interferem na qualidade do sono, o que prejudica a habilidade de guardar novas lembranças por um longo prazo.

Pesquisas anteriores já haviam descoberto que o córtex pré-frontal, região do cérebro atrás da testa, tende a perder volume com a idade, e que parte dessa região ajuda a manter a qualidade do sono, crucial para consolidar novas memórias. O novo experimento foi o primeiro a ligar mudanças estruturais diretamente com problemas de memória relacionados ao sono.

Os resultados sugerem que uma forma de retardar o declínio da memória em adultos mais velhos é melhorar o sono, especificamente a fase de ondas lentas, que constitui um quarto de uma noite normal.

Os médicos não podem reverter as mudanças estruturais que ocorrem com a idade assim como não podem fazer o tempo voltar atrás. Mas ao menos dois grupos estão experimentando com a estimulação elétrica como forma de melhorar o sono profundo em pessoas mais velhas.

Colocando eletrodos no couro cabeludo, os cientistas conseguem passar uma corrente baixa pela área pré-frontal, essencialmente mimetizando o formato das ondas de sono de alta qualidade.

O resultado é a melhora da memória, ao menos em alguns estudos. "Há muitas outras formas de melhorar o sono, incluindo exercícios", afirmou Ken Paller, professor de psicologia e diretor do programa de neurociência cognitiva na Universidade Northwestern, nos EUA.

Paller disse que uma série de mudanças ocorre no cérebro durante o envelhecimento e que o o sono é só um dos fatores afetando as funções da memória.

Mas, para ele, o estudo conta uma história convincente. "A atrofia é relacionada ao sono de ondas lentas, que sabemos ser ligado à performance da memória. Então é um fator contribuinte."

No estudo, uma equipe da Califórnia fez imagens do cérebro de 19 aposentados e de 18 jovens na casa dos 20 anos. O time viu que uma área do cérebro chamada córtex pré-frontal medial, atrás do meio da testa, era um terço menor, em média, nos mais velhos do que nos mais novos --uma diferença atribuída à atrofia natural do envelhecimento, segundo pesquisas anteriores.

Antes da hora de dormir, a equipe fez os dois grupos estudarem uma longa lista de palavras pareadas com sílabas sem nexo, como "ação-siblis" ou "braço-reconver". A equipe usou essas "não palavras" porque um tipo de memória que declina com a idade é a que grava novas informações nunca vistas antes.

Depois de treinar esses pares por meia hora, mais ou menos, os voluntários fizeram um teste. Os jovens superaram os velhos por 25%.

Então todos foram dormir --e diferenças maiores apareceram. Os mais velhos dormiram só um quarto do tempo em sono de alta qualidade em relação aos mais jovens, conforme as medições de um aparelho de eletroencefalograma. Acredita-se que as memórias se transformam de temporárias em definitivas durante esse sono profundo.

Em um segundo teste, realizado de manhã, o grupo jovem superou o mais velho em 55%. A proporção de atrofia em cada pessoa mais ou menos previu a diferença de resultados entre os testes feitos à noite e de manhã, segundo o estudo. Até os idosos que foram melhor à noite mostraram declínio depois do sono.

"A análise mostra que as diferenças se deram não por mudanças na capacidade das memórias, mas na diferença da qualidade do sono", disse Bryce Mander, pós-doutorando na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e líder do estudo. Seus coautores incluíram pesquisadores do Centro Médico Califórnia Pacífico, em San Francisco, da Universidade da Califórnia em San Diego e do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley.

Os achados não querem dizer que a atrofia da região pré-frontal medial é a única mudança ligada à idade causando problemas de memória, segundo Matthew Walker, professor de psicologia e neurociência na Universidade da Califórnia em Berkeley e coautor do estudo.

"Mas esses achados estão relacionados", disse ele. "Essencialmente, com o tempo, quanto menos tecido você tem nessa área pré-frontal, menos e menos qualidade de sono profundo você tem e menos você se lembra do conteúdo que acaba de aprender”

Por: BENEDICT CAREY
DO "NEW YORK TIMES
http://www1.folha.uol.com.br/