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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Exoesqueleto têxtil auxilia indivíduos a caminharem com mais eficiência

Vestimenta robótica foi desenvolvida para fins militares e pessoas com mobilidade reduzida

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE 


© HARVARD BIODESIGN LAB
Exoesqueleto robótico flexível auxilia indivíduos a caminharem produzindo menos força na articulação dos tornozelos
Um exoesqueleto robótico flexível concebido por um grupo internacional de pesquisadores, entre eles a fisioterapeuta Denise Martineli Rossi, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), obteve bons resultados em testes, auxiliando indivíduos a caminharem gastando menos energia e produzindo menos força na articulação dos tornozelos e do quadril.
O exoesqueleto está sendo desenvolvido tanto para fins militares como para pacientes que sofreram acidente vascular cerebral (AVC). A ideia é aumentar a capacidade de locomoção do indivíduo fazendo com que se desloque com mais eficiência, gastando menos energia e produzindo menos força nas articulações, mesmo quando estiverem carregando equipamentos pesados, como mochilas, no caso dos soldados. Mas também poderá beneficiar idosos ou pessoas com mobilidade reduzida a caminharem com mais confiança e velocidade, dispensando o uso de andadores ou muletas.
O equipamento assemelha-se a uma vestimenta, diferentemente dos exoesqueletos mais conhecidos, em geral pesados e dotados de armações metálicas e articuladas revestindo indivíduos da cabeça aos pés. Consiste em uma cinta têxtil presa à cintura com correias que se estendem ao longo das pernas e que se prendem a uma tornozeleira, pela qual passam cabos fixados atrás do calçado. Conectados a pequenos motores, esses cabos funcionam como músculos, auxiliando a pessoa a movimentar o tornozelo e o quadril nos momentos em que mais gastamos energia durante uma caminhada.
© HARVARD BIODESIGN LAB Conectados a pequenos motores, cabos fixados atrás do calçado funcionam como músculos, fazendo com que se caminhe gastando menos energia
 Em testes descritos em um estudo publicado na capa  da edição de janeiro da revista Science Robotics, sete  homens saudáveis, com idade média de 26 anos, vestiram o exoesqueleto e caminharam em uma esteira a uma velocidade de 1,5 metros por segundo no laboratório da Harvard Medical School, em Massachusetts, nos Estados Unidos. “Analisamos a variação da assistência fornecida pelo equipamento e o consumo energético dos indivíduos durante a marcha”, explica Denise.
Por meio de sensores posicionados no pé e na coxa dos participantes, os pesquisadores determinam em tempo real a velocidade da marcha e o tamanho de suas passadas, bem como a força fornecida pelo equipamento no tornozelo de cada um a fim de fornecer a assistência no momento adequado do ciclo da marcha. Verificaram que, com o aumento da assistência oferecida pelo exoesqueleto, houve uma redução da força biológica produzida principalmente pelos tornozelos dos voluntários. Consequentemente, explica Denise, o custo metabólico associado à marcha foi reduzido continuamente à medida que os pesquisadores aumentavam o auxílio oferecido pelo exoesqueleto.
Segundo Denise, com base nesses resultados, eles pretendem aprimorar o equipamento para que ele consiga, de modo autônomo, determinar o grau de assistência oferecida pelo exoesqueleto segundo as necessidades físicas de cada indivíduo ou com as características do terreno pelo qual ele está se deslocando.
Projeto
Estudo da discinese escapular por análise de componentes principais aplicada aos dados de cinemática tridimensional escapulotorácica (nº 14/09485-0); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisadora responsável Anamaria Siriani de Oliveira (USP); Bolsista Denise Martineli Rossi; Investimento R$ 136.448,89.
Artigo científico
QUINLIVAN, B. T. et al. Assistance magnitude versus metabolic cost reductions for a tethered multiarticular soft exosuit. Science Robotics. v. 2, n. 2, p. 1-10. 18 jan. 2017.

Fonte: Revista Fapesp on line  fev/2017

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Metodista retoma produção do exoesqueleto

  Fisioterapeutas vão reforçar o time que a Universidade Metodista de São Paulo criou para produção de um exoesqueleto para membros inferiores.  O grupo de estudos montado este ano visando a retomar o embrião do projeto – surgido de um TCC de alunos de Engenharia da Computação em 2012 – quer que profissionais da saúde auxiliem no melhor entendimento da biomecânica e da marcha humana para concluir o dispositivo ortopédico já em 2015. Se tudo correr como planejado, em 2016 será possível construir esses equipamentos eletrônicos que possam ser vestidos e, assim, beneficiar pessoas com mobilidade reduzida.
“Só engenheiros não são suficientes. Vamos chamar fisioterapeutas, por exemplo, para estudar mais profundamente o gesto de andar, que não é tão simples quanto parece. Envolve músculos, articulações, força para os movimentos”, explica professor Mário Francisco Guerra Boaratti, coordenador do curso de Automação Industrial da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da Metodista.

Os planos são de, entre este ano e 2015, compreender efetivamente a marcha humana e desenvolver um protótipo que possa se manter de pé e ser usado por uma pessoa. “Já em 2015 queremos transformar nosso grupo de estudos em um projeto de pesquisa inovadora e buscar patrocínio para, enfim, construir os dispositivos”, anseia professor Boaratti, que tem na equipe também o professor Vinicius Vono Peruzzi. Ambos estão convidando outros docentes e alunos da Metodista para reforçar o grupo, principalmente em algoritmos, programação e inteligência artificial.

Movimento no fêrmur e joelhos

O exoesqueleto da Facet, que foi doado à faculdade pelos alunos que o criaram, é um conjunto de alavancas que realiza movimentos, mas sem controle. O protótipo pesa 18 quilos e tem quatro motores: nos dois joelhos, fêmur e bacia. Embora a região do tornozelo não tenha motorização, conta com sistema de articulação e molas que auxiliam na movimentação. Já houve aprimoramentos: antes o exoesqueleto apenas chutava e hoje levanta o fêmur e contrai os joelhos de modo mais controlado.

A próxima etapa é estabelecer uma programação em algoritmos (software) para controle retroativo mais eficiente dos passos e do equilíbrio das pernas, visando a mantê-las de pé. Também será desenvolvido um programa para administrar a velocidade de rotação dos motores.

“A questão do equilíbrio é importante porque assemelha-se ao pêndulo invertido: é como equilibrar uma vassoura na ponta do dedo e precisamos estabilizar isso”, explica o professor de Automação Industrial da Metodista, satisfeito pelo fato de a instituição integrar o rol de universidades e empresas que estudam esses dispositivos ortopédicos. “Os Estados Unidos estão muito avançados nisso e próximos de fazer seus soldados biônicos”, cita como referência.

23 peças, nove meses

O crescente problema de mobilidade reduzida nas pernas, seja pela longevidade humana, seja por doenças e acidentes de trânsito, foi a motivação dos alunos Fernando Augusto

Rocha, Luiz Alberto Alves e Ronaldo Neves, de Engenharia da Computação, para desenvolver o Trabalho de Conclusão de Curso sobre o exoesqueleto. Os alunos criaram metodologia própria, que incluiu estudos sobre biomecânica (teoria dos movimentos da marcha humana) e soluções de hardware e software para a automatização do protótipo. Foram desenvolvidas 23 peças em nove meses, mas as pesquisas consumiram pelo menos 12 meses devido a alterações que ocorreram durante as atividades, conta Luiz Alberto.

O protótipo foi feito com alumínio naval. De acordo com os alunos, para o desenvolvimento da proposta foram investidos aproximadamente R$ 3.450 – considerando a cotação do dólar ao final de 2012 (R$ 2,08), o custo foi de cerca de US$ 1.653. Eles estimaram à época que o modelo produzido por uma empresa japonesa deva ser comercializado entre US$ 19 mil a US$ 50 mil.

O exoesqueleto foi uma das atrações apresentadas no XVII Congresso de Iniciação e Produção Científica da Metodista, dias 21, 22 e 23 de outubro último, quando foram reunidos 904 trabalhos de pelo menos 35 escolas superiores.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista - 24/10/2014