Colaboradores

terça-feira, 11 de junho de 2013

Estudo desvenda mecanismo que leva ao câncer de mama

Um novo estudo conseguiu identificar mais um dos vários mecanismos ligados ao câncer de mama.

Nas mulheres, um subtipo de células do tecido mamário tem as extremidades dos cromossomos --os chamados telômeros--bem mais curtas do que o normal, sendo assim mais propenso a mutações e ao surgimento do câncer.

Um artigo publicado na edição de estreia do periódico "Stem Cell Reports" mostrou que, na hora da divisão celular, essa alteração estrutural favoreceria a ocorrência de "erros" que poderiam culminar em um câncer.

Um dos diferenciais do trabalho é que, diferentemente de muitas das pesquisas sobre câncer, os pesquisadores usaram amostras de tecido doadas por 37 mulheres que não tinham a doença, mas que diminuíram os seios por questões estéticas.

O mastologista do Hospital 9 de Julho Fábio Laginha ressalta a importância de estudar também as células saudáveis e afirma que a descoberta pode ser um ponto importante para a prevenção.

"Identificar as células mais predispostas a sofrer mutações é um passo muito importante", afirma o médico.

Recentemente, estudos indicaram a relação dos telômeros com o surgimento dos tumores. Mas esses mecanismos não haviam sido desvendados com o detalhamento da nova pesquisa.

Por enquanto, o trabalho ainda não tem impactos práticos, como a possibilidade de desenvolvimento de um remédio oncológico, mas os cientistas afirmam que ele pode abrir caminho para novas formas de diagnóstico --especialmente se esse tipo de alteração for confirmado em outros cânceres.

"O câncer é formado por um conjunto de alterações, e esse é um entre os vários mecanismos. Não se pode dizer se ele é o principal", explica Ricardo Caponero, oncologista e presidente do Conselho Técnico Científico da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).

"O trabalho se restringe ao tumor ductal [no canal que leva o leite ao mamilo]. São necessários mais estudos para ver se isso se repete em outros tipos de câncer."

Fonte: Folha on line - Equilíbrio
Por: GIULIANA MIRANDA

Autópsia digital

Um novo injetor de contraste e a compra de uma ressonância magnética de alta potência contribuem para entender as causas de morte
Imagens de corpo inteiro de cadáveres obtidas por tomografia e coloridas no computador
A mais célebre representação de uma dissecção humana está num quadro pintado pelo holandês Rembrandt em 1632. Conhecida como Aula de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, a pintura mostra sete circunspectos alunos de medicina olhando o corpo de um assaltante estendido em uma mesa com a parte interna de um dos braços exposta. Ao longo de séculos, a medicina se valeu desse tipo de procedimento retratado por Rembrandt para conhecer o funcionamento do corpo humano e suas doenças, no aprendizado médico e também como um método de verificação, quando necessário, do motivo da morte de uma pessoa. Agora a tendência no mundo é o uso de equipamentos médicos já consagrados, como as tomografias e as ressonâncias magnéticas, para “ver” a causa da morte de uma pessoa sem a necessidade de abrir o corpo. Mas ainda falta uma base científica para esse fim. Um dos estudos mais ambiciosos nesse sentido está sendo realizado em São Paulo, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Lá, sob a coordenação do professor Paulo Saldiva, um grupo de pesquisadores está testando em um equipamento de tomografia formas de fazer autópsia com imagem. Para isso, eles desenvolveram com a empresa Braile Biomédica, de São José do Rio Preto, no interior paulista, uma bomba de injeção de contraste por uma artéria na virilha do cadáver, que se espalha em todo o corpo e garante imagens de melhor qualidade.
Os pesquisadores esperam dar um salto nos estudos a partir de 2014 com a entrega de um equipamento de ressonância magnética de alto campo magnético, a primeira do hemisfério Sul, que foi comprada com recursos da FAPESP, Secretaria da Saúde do estado e USP, no valor de US$ 7 milhões. “Com a evolução da medicina e a adoção de métodos bioquímicos, biologia celular e molecular e métodos de imagens, a autópsia passou a ser algo antigo, mesmo na especialização de médicos”, diz Saldiva, que é chefe do Departamento de Patologia da FMUSP. “Autópsia dá muito trabalho, ela pode levar até três dias para ser concluída e é mal remunerada”, afirma. Ele esclarece que a autópsia médica que tem um decréscimo no mundo é a de “morte morrida”, e não de “morte matada”. É diferente da medicina legal que trata de óbitos por causas violentas como tiros e facadas, por exemplo. Nesses casos é preciso que o corpo passe pelo Instituto Médico Legal (IML) para que o médico-legista, normalmente formado também em academias de polícia, possa fazer laudos para a investigação criminal e o processo legal. “A autópsia médica trata de pessoas encontradas sem vida em casa ou na rua, ou que chegam a um pronto-socorro já mortas, por exemplo, e os médicos não sabem a causa para preencher o atestado de óbito”, explica Saldiva.
Os estudos com autópsia digital são ambiciosos, não só pelos novos equipamentos que serão anexados à Faculdade de Medicina, mas também porque a USP é a mantenedora do Serviço de Verificação de Óbitos da Capital (Svoc), que está vinculado à universidade desde 1939 por decreto estadual. Esse serviço é que recebe todos os casos para autópsia médica do município de São Paulo. “É o maior serviço de autópsia médica do mundo. Não existe outro vinculado a uma universidade e o Svoc é um órgão como o Museu Paulista ou o Instituto de Medicina Tropical, todos ligados à USP. Então, as pessoas que morrem em São Paulo e não têm atestado de óbito são trazidas para cá.” Por ano são realizadas mais de 13 mil autópsias no Svoc e muitos estudos são realizados ali, sempre com a aprovação de familiares ou em indigentes ou corpos não reclamados pela família, que no ano passado, por exemplo, chegaram a 194. “Portanto, temos todas essas autópsias à mão e podemos avançar nossos estudos e trazer novos conhecimentos, além de contarmos com a colaboração de todos os departamentos da Faculdade de Medicina. Hoje existem dúvidas quanto ao papel da autópsia como conhecimento científico. Queremos provar com as novas técnicas incorporadas à autópsia que ela é muito útil”, diz Saldiva.
Reconstrução tridimensional feita a partir de uma tomografia. Em vermelho, os órgãos e, em tons de branco a cinza, ossos e o contraste injetado nos vasos
Descobrir discordâncias
Em um artigo científico publicado na revista The Lancet em 2012, um grupo da Universidade de Oxford, Inglaterra,  apresentou um estudo em que foram analisados 182 casos com tomografia computadorizada e ressonância e sem a realização de biópsia. “Nós temos condições, com o apoio do Svoc, de fazermos mil autópsias com imagens e biópsias por ano. Podemos fazer autópsia minimamente invasiva e autópsia convencional no mesmo corpo. “Acreditamos que a minimamente invasiva é melhor que a convencional para algumas situações, e em outras não. Poderemos definir os casos e saber onde funciona e onde não funciona.”
As bases científicas do estudo com imagens só estão estabelecidas para mortes violentas. As autópsias com imagem surgiram na medicina legal e teve a Suíça como um centro de desenvolvimento nessa área. “É possível mostrar lesões, hematomas, fraturas e onde o tiro penetrou e qual foi a trajetória da bala sem abrir o paciente e mostrar as imagens para o juiz e o júri.”
A autópsia médica, segundo Saldiva, serve primeiro para determinar a causa de morte de uma pessoa. Depois é possível verificar a doença de base, saber o que levou a pessoa a óbito. Também é possível saber se o tratamento foi adequado e se houve complicações terapêuticas. “Há espaço para controle de qualidade hospitalar”, diz. Saldiva lembra de um estudo realizado no Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, que analisou autópsias comparando a concordância e discordância de casos de mortes nos últimos 30 anos, e verificou que em 10% houve erros graves, que interferiram no óbito das pessoas. “No hospital da Universidade Harvard foram encontrados 11% de erros e no Hospital das Clínicas de São Paulo, 15%. Lógico que existe um viés de seleção para a autópsia de casos mais complicados e talvez aponte mais erros que o normal”, diz.
“Do ponto de vista da pesquisa, a contribuição da autópsia é inimaginável. Para análise de cérebros, em relação a doenças relacionadas com a velhice, como o mal de Alzheimer, é importantíssimo porque não dá para fazer biópsia desse órgão de pessoa viva.” Nesse sentido, ele acredita que a nova ressonância vai contribuir para a escolha e análise de tecidos cerebrais para o banco de cérebros que está sendo montado na USP. Mas Saldiva quer ir mais longe. Ele quer mostrar e relacionar as mortes em cada região da cidade de São Paulo. “Se tiver uma concentração de mulheres jovens com câncer de mama em determinada região da cidade é possível detectar. É uma forma de avaliar a relação entre genoma e meio ambiente”, diz. Ele imagina colher os dados dos 13 mil óbitos e estudar os hábitos de cada um, saber o que eles comiam e mapear as doenças, principalmente as relacionadas a poluição do ar.
Na prática, os estudos na Faculdade de Medicina atingiram uma qualidade importante com a bomba de injeção do contraste que é constituído por iodo e polietilenoglicol, um produto viscoso. “Nós tínhamos a indicação de uma máquina na Suíça que custava € 100 mil, mas a solução de contraste era muito cara e deveria ser importada. Aí falamos com o Domingo Braile [médico cirurgião e um dos donos da Braile Biomédica, verPesquisa FAPESP nº 176] e ele colocou a equipe dele a nossa disposição”, diz Saldiva. “Nós adaptamos a máquina de circulação extracorpórea que produzimos para uso em cirurgias cardíacas ou de pulmão para que ela possa injetar a solução de contraste. Adicionamos alguns controles, principalmente em relação ao fluxo do líquido que deve ser bem dosado para não romper acidentalmente algum vaso”, diz Marcos Vinicius, engenheiro eletrônico e superintendente de testes da Braile.
Imagens do coração

Blindagem especial
A injeção do contraste permite não apenas melhores imagens como também saber se há rompimentos em veias e artérias. “O equipamento possibilita desenvolver funcionalidades que os nossos projetos requerem com muita habilidade e flexibilidade”, diz o professor Luiz Fernando Ferraz da Silva, do grupo de Saldiva. A tecnologia nacional apresenta outra vantagem, que é a produção de um software personalizado para a pesquisa. A empresa e a USP analisam a possibilidade de elaboração de um pedido de patente para o equipamento que deve custar, quando finalizado, de R$ 100 mil a R$ 150 mil.
A bomba de injeção também está sendo preparada para funcionar com a ressonância magnética que será instalada em um conjunto de salas no subsolo da Faculdade de Medicina. O gerenciamento do dia a dia da instalação das salas e dos equipamentos está a cargo do professor Silva, que explica ser necessário uma forte blindagem com 400 toneladas de ferro em volta da sala de ressonância para conter o alto campo magnético emitido. A blindagem é necessária porque sem ela pessoas com próteses metálicas e marca-passos podem ter problemas ao passar muito perto da máquina. A ressonância tem um campo magnético de 7 teslas (T). “As de uso clínico, usadas em hospitais, por exemplo, têm 3 teslas”, afirma. “Nós íamos comprar uma de 3 teslas, mas por solicitação do pessoal da radiologia compramos a mais apropriada para uso em pesquisas”, diz Saldiva. “Somente Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Suíça e França possuem esse tipo de ressonância que não tem aprovação ainda para uso em exames clínicos”, diz Silva.
Projeto
Plataforma de imagem na sala de autópsia (nº 2009/ 54323-0); Modalidade Programa Equipamentos Multiusuários; Coord. Paulo Hilário Nascimento Saldiva/

Fonte: Revista Fapesp - Edição 208 - Junho de 2013

Por: MARCOS DE OLIVEIRA | Edição 208 - Junho de 2013
Imagens: Faculdade de Medicina - USP

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Trabalhos de Conclusão de Curso da Biomedicina 2013 - Universidade Metodista de São Paulo

Dia  13 de junho será a apresentação dos Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos da Biomedicina 2013 - Universidade Metodista de São Paulo!

Ao todo serão apresentados 33 trabalhos, nas mais diversas áreas da Biomedicina. 
Há trabalhos experimentais e de revisão bibliográficas; realizados em grupo ou individual; desenvolvidos na própria Universidade Metodista (Centro de Neurociências, Núcleo de Análises Clínicas, Núcleo de Pesquisa) ou em locais parceiros (Fleury Medicina e Saúde, Ideia Fértil Saúde Reprodutiva, Hospital Sírio Libanês, Medicina USP entre outros).

Sem dúvida, este será um momento especial para nossos alunos e futuros Biomédicos!

Para mais informações sobre os trabalhos acesse o link abaixo!

https://skydrive.live.com/view.aspx?resid=9F33B6A898DD740E!151&cid=9f33b6a898dd740e&app=WordPdf&authkey=!AIBouB5FPQdgtcg

"Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer" Mahatma Gandhi

Obs: Aguardem as fotos, em breve estarão em nosso blog!

Novo teste detecta leptospirose em 24 horas

Um novo teste desenvolvido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio, permite o diagnóstico de leptospirose em 24 horas. Hoje, os testes existentes demoram de cinco a seis dias para confirmar a doença.

Ainda em fase experimental, o novo exame realiza o diagnóstico por meio da identificação da leptospira, a bactéria causadora da doença.

A identificação rápida da leptospirose permite que o paciente seja tratado de forma mais eficaz.



Com sintomas semelhantes aos da dengue, hepatite A e outros processos infecciosos, o paciente só era diagnosticado quando o organismo produzia anticorpos, quase uma semana depois de ser infectado.

Com o novo teste, a leptospirose pode ser detectada no primeiro ou segundo dia de contaminação.

A doença é transmitida principalmente pela urina de animais infectados. Seus sintomas são febre, dor de cabeça e comprometimento gastrointestinal.

"O mais importante para o paciente é o diagnóstico precoce. E para a Vigilância Epidemiológica a importância é saber o tipo de bactéria circulante, para que se possa controlar os animais [cães, bois ou outros mamíferos] da cadeia de transmissão e evitar surtos e epidemias", afirma a microbiologista Ilana Balassiano, do Instituto Oswaldo Cruz.

RECONHECIMENTO

A pesquisa foi divulgada na revista científica "Diagnostic Microbiology and Infections Disease", em 2012. Os resultados serão apresentados no Congresso de Microbiologia na Alemanha, em julho deste ano.
A microbiologista Ilana Balassiano, uma das responsáveis pelo novo teste em laboratório na Fiocruz

O novo teste é chamado de PCR-Imunocaptura. Segundo Balassiano, existem aproximadamente 20 espécies de bactérias da doença.

A identificação é feita em diferentes níveis --gênero, espécie e outros-- para classificar a bactéria e apontar o animal associado à cadeia de transmissão da doença.

A pesquisadora conta que deposita o soro infectado com leptospira numa placa com diferentes anticorpos. Em seguida, faz-se a extração de DNA para identificar a bactéria e fazer o diagnóstico da doença.

"Esse teste [da Fiocruz] é mais preciso. É uma ferramenta a mais do diagnóstico já que os sintomas da leptospirose podem se parecer com os de várias outras doenças", diz o professor de infectologia pediátrica e diretor do Instituto de Pediatria da UFRJ, Edimilson Migowski.

O Ministério da Saúde informou que o estudo ainda será analisado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pela Secretaria de Vigilância em Saúde.

Desde 2005, o Brasil registrou 31.418 casos de leptospirose. Em 2011 houve o maior número de doentes: 4.832, com 436 mortes.

Só no ano passado, foram registrados 3.242 casos e 268 óbitos. Neste ano, o número já chega a 693, sendo 63 as vítimas fatais.

Fonte: Folha de São Paulo
Por: DIANA BRITO

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress

Teste do pezinho detecta risco de câncer raro

Uma pesquisa de médicos do Paraná usou o teste do pezinho para diagnosticar a predisposição ao câncer em recém-nascidos.

O exame, obrigatório no país todo, detecta doenças que podem levar a deficiências intelectuais.

O resultado do trabalho, realizado entre 2006 e 2010, foi publicado nesta semana no "Journal of Clinical Oncology" e mostra que o diagnóstico precoce feito com o teste contribui decisivamente para a cura da doença.

Os médicos usaram a mesma gota de sangue colhida para o exame comum para procurar uma mutação genética que indica predisposição ao câncer, em especial ao tumor de córtex adrenal.

Trata-se de um tipo raro de câncer da glândula adrenal e cuja incidência é maior na faixa que vai do Rio Grande do Sul ao sul de Minas Gerais, onde atinge quatro crianças por milhão, 15 vezes a média mundial. As causas disso estão em estudo.



Das cerca de 500 crianças com resultado positivo para a mutação, 17 tiveram câncer, com taxa de sobrevivência de 80%. O comum é de 50%.

No caso dos pacientes que fizeram o acompanhamento com regularidade, o percentual de cura foi de 100%.

Entre os casos, destaca-se o de Kauan Barros Gomes, 5, que recebeu o diagnóstico aos dez meses de idade. Na época, o tumor tinha 0,6 cm --é o menor já relatado na literatura médica até hoje.

Segundo o coordenador da pesquisa, o médico Bonald Figueiredo, do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, outros 700 casos de câncer foram identificados.

"É uma multidão que passa a ficar atenta a qualquer sintoma, o que aumenta as chances de diagnóstico precoce e de cura", diz.

Para os pesquisadores, o estudo abre caminho para que sejam implantados outros programas de vigilância em saúde pública a partir do teste de DNA. No Paraná, o governo estuda decretar a obrigatoriedade do exame.

"Dá para estender a mesma rotina a outras doenças, de acordo com a incidência regional", afirma a pediatra Maria José Mastellaro, do Centro Infantil Boldrini, de Campinas (SP), que realiza uma pesquisa semelhante.

O rastreamento genético, porém, é questionado. Críticos ponderam que é preciso assegurar que os benefícios do teste compensem os impactos do rastreamento.

"O teste não identifica a doença em si, mas uma predisposição. Vai submeter um grande número de pessoas a um estresse que, para a maioria, será desnecessário", diz o endocrinologista Daniel Freire, do HC da USP.

Das crianças testadas no Paraná, só 0,27% apresentavam a mutação. Destas, só 3% tiveram câncer.

Para Figueiredo, os benefícios do aconselhamento genético e da prevenção do câncer na família compensam os impactos. "Um quarto dos membros da família terá a mutação", diz.

Fonte: Folha de São Paulo
Por: Estelita Hass Carazzai

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress

terça-feira, 7 de maio de 2013

Medicamento anti-HIV é obtido de soja transgênica



Remédio na planta 




O uso milenar de plantas para aliviar doenças ganha outras formas sob o domínio da biotecnologia. Dezenas de experimentos em todo o mundo, em empresas ou instituições acadêmicas, utilizam técnicas de inserção de genes em genomas de plantas que possam codificar enzimas de interesse farmacológico. Assim é possível que o cultivo de soja, milho e batata ou mesmo plantas ornamentais possa no futuro ser usado em larga escala, em versões transgênicas, para a produção de medicamentos. Um exemplo desses experimentos que acontecem no Brasil, na unidade de Recursos Genéticos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, é o desenvolvimento de uma variedade de soja com um viricida ou microbicida, capaz de prevenir a contaminação pelo vírus causador da Aids. Com a ajuda da engenharia genética, essa leguminosa está produzindo sementes, em uma estufa na capital federal, com a enzima cianovirina-N que já teve comprovada sua eficácia contra o vírus em testes laboratoriais em estudos pré-clínicos.

Esse tipo de experimento ganhou força em maio de 2012, quando a Food and Drug Administration (FDA), a agência federal norte-americana de regulação de medicamentos e alimentos, aprovou para uso comercial o primeiro fármaco produzido com engenharia genética em células de plantas para seres humanos. O princípio ativo é a proteína taliglucerase alfa, produzida em células de cenoura transgênica para tratamento da doença de Gaucher, uma enfermidade genética e rara provocada pela  falta no organismo da glucocerebrosidase, uma enzima atuante no processamento de glicocerebrosídeos, um tipo de  gordura celular. O paciente tem anemia e aumento do baço e do fígado. O medicamento desenvolvido e produzido pela empresa israelense Protalix, e distribuído em parceria com a  norte-americana Pfizer, foi também aprovado em Israel e no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em março deste ano, com o nome de Uplyso. O tratamento até agora era feito com outro fármaco em que a proteína é produzida em linhagens de células modificadas de hamsters, num processo biotecnológico que está mais sujeito a contaminações.

A proteína sintetizada na cenoura é similar à produzida pelo próprio organismo humano. No caso da cianovirina a história é diferente. Ela foi isolada na década de 1990 de uma cianobactéria, que leva o nome científico de Nostoc ellipsosporum, em pesquisas do Instituto Nacional de Câncer (NCI, na sigla em inglês) e dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. As cianobactérias são bactérias azuis e chamadas erroneamente de algas azuis. Pesquisadores dos NIH e da Universidade de Londres, na Inglaterra, idealizaram um gel com a cianovirina para ser aplicado antes das relações sexuais. O princípio ativo inibe a replicação do HIV ao se ligar aos oligossacarídeos (açúcares) do vírus. “A cionovirina-N está no estágio de desenvolvimento pré-clínico, portanto ainda não foi testada em seres humanos”, diz o pesquisador Barry O’Keefe, vice-chefe de biologia molecular do laboratório de alvos moleculares do NCI. Ele liderou um estudo publicado em 2003 que demonstrou a atividade da proteína também contra alguns vírus da gripe (influenza A e B) e participa dos estudos para o desenvolvimento da cianovirina. “Falta um meio comercialmente viável, de baixo custo, de produção em larga escala da cianovirina-N, e as plantas são um bom caminho para esse fim”, diz O’Keefe.

 
Obter a proteína em grande quantidade foi a dificuldade inicial dos pesquisadores norte-americanos logo depois dos estudos laboratoriais que indicaram as atividades contra alguns tipos de vírus. Os NIH tentaram a produção via DNA recombinante, em que o gene codificador da proteína é inserido no genoma de outra bactéria mais fácil de cultivar, a Escherichia coli, para a posterior extração da substância. Mas a produção foi baixa e se mostrou economicamente inviável. A solução encontrada pelo pessoal dos NIH, liderado por O’Keefe, foi procurar o professor Elíbio Rech, da Embrapa, coordenador do grupo brasileiro que havia depositado uma patente no exterior, de uma técnica para inserção de genes em soja, e tinha experiência no desenvolvimento de culturas transgênicas. “Os norte-americanos nos procuraram em 2007 e fizemos a parceria. Eles nos repassaram a sequencia genética codificadora do gene que inserimos no genoma de uma variedade de soja da Embrapa, a 10-16. E deu certo, já temos as sementes das plantas engenheiradas por nós produzindo a cianovirina”, diz Rech. Eles isolaram o princípio ativo da soja. O ensaio viral para a confirmação da ação da cianovirina produzida pela Embrapa foi feito pelo professor Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e também no laboratório de O’Keefe, nos Estados Unidos. E o resultado foi positivo.

O desafio atual é melhorar o processo de extração da proteína, purificando quantidades maiores da cianovirina das sementes de soja. “Nossos resultados apontaram a presença de 10 gramas (g) da proteína por quilo de sementes frescas. Sabemos que não podemos tirar os 100% de fármaco do grão da leguminosa porque é normal que ocorram perdas no processo de purificação. Até agora já atingimos os 20%, ou 2 g, e nossa meta é atingir 50%”, diz Rech. O processo de purificação de proteína é trabalhoso, exige várias fases. No caso da Embrapa, a purificação está sendo realizada com resinas. Conforme o óleo de soja passa por um processo semelhante a uma filtração em que as resinas fazem o papel de filtros, as proteínas contidas na soja vão se dissolvendo, inclusive a cianovirina.

“Nossa intenção é produzir uma quantidade suficiente da proteína para testar o principio ativo em macacas nos Estados Unidos, e posteriormente em seres humanos”, explica Rech. O propósito do trabalho dos NIH, da Universidade de Londres e do Conselho para a Pesquisa Científica e Industrial (Csir Biosciences) da África do Sul, que são grupos que participam da pesquisa, é levar o gel para o continente africano, onde a transmissão de Aids ainda é grande. A produção da cianovirina também está sendo testada em plantas de tabaco na Inglaterra, na Universidade de Londres, e nos Estados Unidos. “No tabaco, o medicamento não está apenas nas sementes, mas se expressa na planta toda. Na África, sob a liderança da pesquisadora Rachel Chikwamba, do Csir, os experimentos também seguem o caminho de produzir a cianovirina em soja e em tabaco, mas ainda não obtiveram sucesso”, diz Rech.

Outra conquista da Embrapa em Brasília foi o desenvolvimento de algumas linhagens de soja transgênica que produzem em suas células o fator IX de coagulação, um componente existente no sangue humano cuja falta é uma das causas da hemofilia, doença genética em que a pessoa sofre problemas na cicatrização e na contenção de hemorragias. Ele é produzido atualmente de plasma sanguíneo, a partir do sangue doado nos hospitais, ou em cultura de células de camundongos por meio da inserção no genoma do roedor do gene que codifica a proteína do fator IX. “Há um gargalo também no desenvolvimento de sistemas de purificação mais eficientes e produtivos”, diz Rech. “Terminamos essa soja com fator IX no ano passado depois de cinco anos, testamos a molécula presente nas sementes e agora repassamos o material para a Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP)], parceira do projeto, para a sequência da fase de purificação da molécula.”

“Recebemos 360 g de soja liofilizada transgênica e já foram feitos os testes que mostram a presença dessa proteína, o fator IX. Agora, como assumi o cargo de professora do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, esses estudos estão sob a coordenação dos professores Dimas Tadeu Covas e Lewis Joel Greene, do Hemocentro de Ribeirão Preto”, diz a bióloga Aparecida Maria Fontes, que era pesquisadora do Hemocentro e parceira na pesquisa. “A produção de fator IX em planta é muito importante porque, além de não se utilizar o material dos bancos de sangue que é escasso, cria-se uma alternativa com outro veículo de produção. Até o momento, a única molécula do fator IX produzida com técnicas biotecnológicas é elaborada em células de hamsters”, diz Aparecida.

Em todas as pesquisas e mesmo em futuras plantações de soja transgênica, que vão produzir medicamentos, são levadas em conta várias iniciativas de biossegurança. “As plantas são produzidas sob contenção, em casas de vegetação [estufas] totalmente teladas. Isso acontece para evitar situações que são até muito difíceis de acontecer como, por exemplo, que um pássaro pegue uma semente e leve para outro lugar onde a soja germine e alguém possa comer as sementes. Não é veneno, mas devemos lidar com essas plantas como fonte de medicamento, de forma diferente da soja usada na alimentação. As plantações futuras também deverão ser cercadas, de modo a que nenhum estranho tenha acesso”, diz Rech.

Entre as vantagens da geração de fármacos em plantas estão os custos mais baixos, com produção de larga escala e também com a segurança se comparada com células humanas, fungos, bactérias e animais. “Também é mais fácil de manipular o produto agrícola. A vantagem da soja ou de outro vegetal é que podemos colher e estocar”, diz Rech. Em um artigo publicado na revista Nature em 2012 (10 de maio) na seção News in Focus, que comentou a aprovação para uso comercial do medicamento para doença de Gaucher produzido com cenouras, o autor, Amy Maxmen, diz que o Elelyso, ou Uplyso, remédio aprovado pela FDA, pode ser vendido por 75% do valor do medicamento tradicional, o Cerezyme, produzido com células de hamsters. O tratamento tradicional pode custar até US$ 300 mil por ano por paciente. Maxmen informa que o mercado global de fármacos de produtos biotecnológicos alcançou a marca de US$ 149 bilhões em 2010. “O futuro dos métodos de produção à base de plantas é muito promissor para os biofarmacêuticos. É um momento muito emocionante para quem trabalha com esse tipo de pesquisa”, diz O’Keefe à Pesquisa FAPESP. “Elibio Rech e seus colegas na Embrapa fazem parte de uma indústria crescente de grande importância para o futuro.”

Fonte: Revista Fapesp online abril/2013
Por: Marcos de Oliveira


Artigos científicos
O’Keefe, B.R. et al. Potent Anti-Influenza Activity of Cyanovirin-N and Interactions with Viral Hemagglutinin. Antimicrobial Agents and Chemotherapy. v. 47, n. 8, p. 2.518-25. ago. 2003.

Rech, E.L. et al. High-efficiency transformation by biolistics of soybean, common bean and cotton transgenic plants.
Nature Protocols. v.3, n. 3, p. 410-18. fev. 2008.
 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Cientistas desenvolvem rim de laboratório




Rim de rato desenvolvido em laboratório
Um rim "criado" em laboratório foi transplantado para animais onde começou a produzir urina, afirmam cientistas norte-americanos.
A técnica, desenvolvida pelo Hospital Geral de Massachusetts e apresentada na publicação Nature Medicine, resulta em rins menos eficazes do que os naturais. Mesmo assim, os pesquisadores de medicina regenerativa afirmam que ela representa uma enorme promessa.
Técnicas semelhantes para desenvolver partes do corpo mais simples já tinham sido utilizadas antes, mas o rim é um dos órgãos mais complicados de ser desenvolvido.

Os rins filtram o sangue para remover resíduos e excesso de água. Eles também são o órgão com o maior número de pacientes na fila de espera de transplantes.

A técnica dos cientistas americanos consiste em usar um rim velho, retirar todas as suas células antigas e deixar apenas uma espécie de esqueleto, uma estrutura básica, que funcione como uma espécie de armação. A partir daí, o rim seria então reconstruído com células retiradas do paciente.
Isso teria duas grandes vantagens sobre os habituais transplantes de rim.

Como o novo tecido será formado com células do paciente, não será necessário o uso de drogas antirrejeição, que evitam que o sistema imunológico bloqueie o funcionamento do órgão "estranho" ao corpo.
Seria possível também aumentar consideravelmente o número de órgãos disponíveis para transplante. A maioria dos órgãos usados atualmente acaba rejeitada.

Teia de células
Nesse estudo, os pesquisadores usaram um rim de rato e aplicaram um detergente para retirar as células velhas.
A teia de células restante, formada por proteínas, tem a forma do rim, e inclui uma intrincada rede de vasos sanguíneos e tubos de drenagem.

Esta rede de tubos foi utilizada para bombear as células adequadas para a parte direita do rim, onde se juntaram com a "armação" para reconstruir o órgão.

O órgão reconstituído foi mantido em um forno especial por 12 dias para imitar as condições no corpo de um rato.

Quando os rins foram testadas em laboratório, a produção de urina chegou a 23% das estruturas naturais.
A equipe, então, transplantou o órgão para um rato. Uma vez dentro do corpo, a eficácia do rim caiu para 5%.

No entanto, o pesquisador principal, Harald Ott, disse à BBC que a restauração de uma pequena fração da função normal já pode ser suficiente: "Se você estiver em hemodiálise, uma função renal de 10% a 15% já seria suficiente para livrar o paciente da hemodiálise. Ou seja, não temos que ir até o fim (garantir os 100% da função renal)."

Ele disse que o potencial é enorme: "Se você pensar sobre os Estados Unidos, há 100 mil pacientes aguardando por transplantes de rim e há apenas cerca de 18 mil transplantes realizados por ano."
"O impacto clínico de um tratamento bem-sucedido seria enorme."

'Realmente impressionante'

Seriam necessárias ainda várias pesquisas antes de que o procedimento fosse aprovado para uso em pessoas.

A técnica necessita ser mais eficiente, para a restauração de um maior nível de função renal. Os pesquisadores também precisam provar que o rim continuaria a funcionar por um longo tempo.

Haverá também os desafios impostos pelo tamanho de um rim humano. É mais difícil colocar as células novas no lugar certo em um órgão maior.

O professor Martin Birchall, cirurgião do University College de Londres, envolveu-se em transplantes de traqueia produzidos a partir de armações desenvolvidas em laboratório.

Sobre a pesquisa com o rim, ele disse: "É extremamente interessante, e realmente impressionante."

"Eles (os pesquisadores que desenvolveram o rim de rato) abordaram algumas das principais barreiras técnicas para tornar possível a utilização de medicina regenerativa para tratar de uma necessidade médica muito importante."

Ele disse que tornar o desenvolvimento de órgãos acessível a pessoas que necessitam de um transplante de órgão poderia revolucionar a medicina: "Do ponto de vista cirúrgico, é quase o nirvana da medicina regenerativa que você possa atender à maior necessidade de órgãos para transplante no mundo - o rim."

Fonte: Notícias UOL.com.br