LOCAL: Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa
sexta-feira, 14 de junho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
Estudo desvenda mecanismo que leva ao câncer de mama
Um novo estudo conseguiu identificar mais um dos vários mecanismos ligados ao câncer de mama.
Nas mulheres, um subtipo de células do tecido mamário tem as extremidades dos cromossomos --os chamados telômeros--bem mais curtas do que o normal, sendo assim mais propenso a mutações e ao surgimento do câncer.
Um artigo publicado na edição de estreia do periódico "Stem Cell Reports" mostrou que, na hora da divisão celular, essa alteração estrutural favoreceria a ocorrência de "erros" que poderiam culminar em um câncer.
Um dos diferenciais do trabalho é que, diferentemente de muitas das pesquisas sobre câncer, os pesquisadores usaram amostras de tecido doadas por 37 mulheres que não tinham a doença, mas que diminuíram os seios por questões estéticas.
O mastologista do Hospital 9 de Julho Fábio Laginha ressalta a importância de estudar também as células saudáveis e afirma que a descoberta pode ser um ponto importante para a prevenção.
"Identificar as células mais predispostas a sofrer mutações é um passo muito importante", afirma o médico.
Recentemente, estudos indicaram a relação dos telômeros com o surgimento dos tumores. Mas esses mecanismos não haviam sido desvendados com o detalhamento da nova pesquisa.
Por enquanto, o trabalho ainda não tem impactos práticos, como a possibilidade de desenvolvimento de um remédio oncológico, mas os cientistas afirmam que ele pode abrir caminho para novas formas de diagnóstico --especialmente se esse tipo de alteração for confirmado em outros cânceres.
"O câncer é formado por um conjunto de alterações, e esse é um entre os vários mecanismos. Não se pode dizer se ele é o principal", explica Ricardo Caponero, oncologista e presidente do Conselho Técnico Científico da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).
"O trabalho se restringe ao tumor ductal [no canal que leva o leite ao mamilo]. São necessários mais estudos para ver se isso se repete em outros tipos de câncer."
Fonte: Folha on line - Equilíbrio
Por: GIULIANA MIRANDA
Autópsia digital
Um novo
injetor de contraste e a compra de uma ressonância magnética de alta potência
contribuem para entender as causas de morte
![]() |
| Imagens de corpo inteiro de cadáveres obtidas por tomografia e coloridas no computador |
A
mais célebre representação de uma dissecção humana está num quadro pintado pelo
holandês Rembrandt em 1632. Conhecida como Aula de anatomia do Dr.
Nicolaes Tulp, a pintura mostra sete circunspectos alunos de medicina
olhando o corpo de um assaltante estendido em uma mesa com a parte interna de
um dos braços exposta. Ao longo de séculos, a medicina se valeu desse tipo de
procedimento retratado por Rembrandt para conhecer o funcionamento do corpo
humano e suas doenças, no aprendizado médico e também como um método de
verificação, quando necessário, do motivo da morte de uma pessoa. Agora a
tendência no mundo é o uso de equipamentos médicos já consagrados, como as
tomografias e as ressonâncias magnéticas, para “ver” a causa da morte de uma
pessoa sem a necessidade de abrir o corpo. Mas ainda falta uma base científica
para esse fim. Um dos estudos mais ambiciosos nesse sentido está sendo
realizado em São Paulo, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(FMUSP). Lá, sob a coordenação do professor Paulo Saldiva, um grupo de
pesquisadores está testando em um equipamento de tomografia formas de fazer
autópsia com imagem. Para isso, eles desenvolveram com a empresa Braile
Biomédica, de São José do Rio Preto, no interior paulista, uma bomba de injeção
de contraste por uma artéria na virilha do cadáver, que se espalha em todo o
corpo e garante imagens de melhor qualidade.
Os
pesquisadores esperam dar um salto nos estudos a partir de 2014 com a entrega
de um equipamento de ressonância magnética de alto campo magnético, a primeira
do hemisfério Sul, que foi comprada com recursos da FAPESP, Secretaria da Saúde
do estado e USP, no valor de US$ 7 milhões. “Com a evolução da medicina e a
adoção de métodos bioquímicos, biologia celular e molecular e métodos de imagens,
a autópsia passou a ser algo antigo, mesmo na especialização de médicos”, diz
Saldiva, que é chefe do Departamento de Patologia da FMUSP. “Autópsia dá muito
trabalho, ela pode levar até três dias para ser concluída e é mal remunerada”,
afirma. Ele esclarece que a autópsia médica que tem um decréscimo no mundo é a
de “morte morrida”, e não de “morte matada”. É diferente da medicina legal que
trata de óbitos por causas violentas como tiros e facadas, por exemplo. Nesses
casos é preciso que o corpo passe pelo Instituto Médico Legal (IML) para que o
médico-legista, normalmente formado também em academias de polícia, possa fazer
laudos para a investigação criminal e o processo legal. “A autópsia médica
trata de pessoas encontradas sem vida em casa ou na rua, ou que chegam a um
pronto-socorro já mortas, por exemplo, e os médicos não sabem a causa para
preencher o atestado de óbito”, explica Saldiva.
Os
estudos com autópsia digital são ambiciosos, não só pelos novos equipamentos
que serão anexados à Faculdade de Medicina, mas também porque a USP é a
mantenedora do Serviço de Verificação de Óbitos da Capital (Svoc), que está
vinculado à universidade desde 1939 por decreto estadual. Esse serviço é que
recebe todos os casos para autópsia médica do município de São Paulo. “É o
maior serviço de autópsia médica do mundo. Não existe outro vinculado a uma
universidade e o Svoc é um órgão como o Museu Paulista ou o Instituto de
Medicina Tropical, todos ligados à USP. Então, as pessoas que morrem em São
Paulo e não têm atestado de óbito são trazidas para cá.” Por ano são realizadas
mais de 13 mil autópsias no Svoc e muitos estudos são realizados ali, sempre
com a aprovação de familiares ou em indigentes ou corpos não reclamados pela
família, que no ano passado, por exemplo, chegaram a 194. “Portanto, temos
todas essas autópsias à mão e podemos avançar nossos estudos e trazer novos
conhecimentos, além de contarmos com a colaboração de todos os departamentos da
Faculdade de Medicina. Hoje existem dúvidas quanto ao papel da autópsia como
conhecimento científico. Queremos provar com as novas técnicas incorporadas à
autópsia que ela é muito útil”, diz Saldiva.
![]() |
| Reconstrução tridimensional feita a partir de uma tomografia. Em vermelho, os órgãos e, em tons de branco a cinza, ossos e o contraste injetado nos vasos |
Descobrir
discordâncias
Em um artigo científico publicado na revista The Lancet em
2012, um grupo da Universidade de Oxford, Inglaterra, apresentou um
estudo em que foram analisados 182 casos com tomografia computadorizada e
ressonância e sem a realização de biópsia. “Nós temos condições, com o apoio do
Svoc, de fazermos mil autópsias com imagens e biópsias por ano. Podemos fazer
autópsia minimamente invasiva e autópsia convencional no mesmo corpo.
“Acreditamos que a minimamente invasiva é melhor que a convencional para
algumas situações, e em outras não. Poderemos definir os casos e saber onde
funciona e onde não funciona.”
As
bases científicas do estudo com imagens só estão estabelecidas para mortes
violentas. As autópsias com imagem surgiram na medicina legal e teve a Suíça
como um centro de desenvolvimento nessa área. “É possível mostrar lesões,
hematomas, fraturas e onde o tiro penetrou e qual foi a trajetória da bala sem
abrir o paciente e mostrar as imagens para o juiz e o júri.”
A
autópsia médica, segundo Saldiva, serve primeiro para determinar a causa de
morte de uma pessoa. Depois é possível verificar a doença de base, saber o que
levou a pessoa a óbito. Também é possível saber se o tratamento foi adequado e
se houve complicações terapêuticas. “Há espaço para controle de qualidade
hospitalar”, diz. Saldiva lembra de um estudo realizado no Massachusetts
General Hospital, nos Estados Unidos, que analisou autópsias comparando a
concordância e discordância de casos de mortes nos últimos 30 anos, e verificou
que em 10% houve erros graves, que interferiram no óbito das pessoas. “No
hospital da Universidade Harvard foram encontrados 11% de erros e no Hospital
das Clínicas de São Paulo, 15%. Lógico que existe um viés de seleção para a autópsia
de casos mais complicados e talvez aponte mais erros que o normal”, diz.
“Do
ponto de vista da pesquisa, a contribuição da autópsia é inimaginável. Para
análise de cérebros, em relação a doenças relacionadas com a velhice, como o
mal de Alzheimer, é importantíssimo porque não dá para fazer biópsia desse
órgão de pessoa viva.” Nesse sentido, ele acredita que a nova ressonância vai
contribuir para a escolha e análise de tecidos cerebrais para o banco de
cérebros que está sendo montado na USP. Mas Saldiva quer ir mais longe. Ele
quer mostrar e relacionar as mortes em cada região da cidade de São Paulo. “Se
tiver uma concentração de mulheres jovens com câncer de mama em determinada
região da cidade é possível detectar. É uma forma de avaliar a relação entre
genoma e meio ambiente”, diz. Ele imagina colher os dados dos 13 mil óbitos e
estudar os hábitos de cada um, saber o que eles comiam e mapear as doenças,
principalmente as relacionadas a poluição do ar.
Na prática, os estudos na Faculdade de Medicina
atingiram uma qualidade importante com a bomba de injeção do contraste que é
constituído por iodo e polietilenoglicol, um produto viscoso. “Nós tínhamos a
indicação de uma máquina na Suíça que custava € 100 mil, mas a solução de
contraste era muito cara e deveria ser importada. Aí falamos com o Domingo
Braile [médico cirurgião e um dos donos da Braile Biomédica, verPesquisa FAPESP nº 176] e ele colocou a
equipe dele a nossa disposição”, diz Saldiva. “Nós adaptamos a máquina de
circulação extracorpórea que produzimos para uso em cirurgias cardíacas ou de
pulmão para que ela possa injetar a solução de contraste. Adicionamos alguns
controles, principalmente em relação ao fluxo do líquido que deve ser bem
dosado para não romper acidentalmente algum vaso”, diz Marcos Vinicius,
engenheiro eletrônico e superintendente de testes da Braile.
![]() |
| Imagens do coração |
Blindagem
especial
A injeção do contraste permite não apenas melhores imagens como também saber se
há rompimentos em veias e artérias. “O equipamento possibilita desenvolver
funcionalidades que os nossos projetos requerem com muita habilidade e
flexibilidade”, diz o professor Luiz Fernando Ferraz da Silva, do grupo de
Saldiva. A tecnologia nacional apresenta outra vantagem, que é a produção de um software personalizado
para a pesquisa. A empresa e a USP analisam a possibilidade de elaboração de um
pedido de patente para o equipamento que deve custar, quando finalizado, de R$
100 mil a R$ 150 mil.
A
bomba de injeção também está sendo preparada para funcionar com a ressonância
magnética que será instalada em um conjunto de salas no subsolo da Faculdade de
Medicina. O gerenciamento do dia a dia da instalação das salas e dos
equipamentos está a cargo do professor Silva, que explica ser necessário uma
forte blindagem com 400 toneladas de ferro em volta da sala de ressonância para
conter o alto campo magnético emitido. A blindagem é necessária porque sem ela
pessoas com próteses metálicas e marca-passos podem ter problemas ao passar
muito perto da máquina. A ressonância tem um campo magnético de 7 teslas (T).
“As de uso clínico, usadas em hospitais, por exemplo, têm 3 teslas”, afirma.
“Nós íamos comprar uma de 3 teslas, mas por solicitação do pessoal da
radiologia compramos a mais apropriada para uso em pesquisas”, diz Saldiva.
“Somente Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Suíça e França possuem
esse tipo de ressonância que não tem aprovação ainda para uso em exames
clínicos”, diz Silva.
Projeto
Plataforma de imagem na sala de autópsia (nº 2009/ 54323-0); Modalidade Programa Equipamentos Multiusuários; Coord. Paulo Hilário Nascimento Saldiva/
Plataforma de imagem na sala de autópsia (nº 2009/ 54323-0); Modalidade Programa Equipamentos Multiusuários; Coord. Paulo Hilário Nascimento Saldiva/
Fonte: Revista Fapesp - Edição
208 - Junho de 2013
Por: MARCOS DE OLIVEIRA | Edição 208 - Junho
de 2013
Imagens: Faculdade de Medicina - USP
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Trabalhos de Conclusão de Curso da Biomedicina 2013 - Universidade Metodista de São Paulo
Dia 13 de junho será a apresentação dos Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos da Biomedicina 2013 - Universidade Metodista de São Paulo!
Ao todo serão apresentados 33 trabalhos, nas mais diversas áreas da Biomedicina.
Há trabalhos experimentais e de revisão bibliográficas; realizados em grupo ou individual; desenvolvidos na própria Universidade Metodista (Centro de Neurociências, Núcleo de Análises Clínicas, Núcleo de Pesquisa) ou em locais parceiros (Fleury Medicina e Saúde, Ideia Fértil Saúde Reprodutiva, Hospital Sírio Libanês, Medicina USP entre outros).
Sem dúvida, este será um momento especial para nossos alunos e futuros Biomédicos!
https://skydrive.live.com/view.aspx?resid=9F33B6A898DD740E!151&cid=9f33b6a898dd740e&app=WordPdf&authkey=!AIBouB5FPQdgtcg
"Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer" Mahatma Gandhi
Obs: Aguardem as fotos, em breve estarão em nosso blog!
Novo teste detecta leptospirose em 24 horas
Um
novo teste desenvolvido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio, permite o
diagnóstico de leptospirose em 24 horas. Hoje, os testes existentes demoram de
cinco a seis dias para confirmar a doença.
Ainda
em fase experimental, o novo exame realiza o diagnóstico por meio da
identificação da leptospira, a bactéria causadora da doença.
A
identificação rápida da leptospirose permite que o paciente seja tratado de
forma mais eficaz.
Com
sintomas semelhantes aos da dengue, hepatite A e outros processos infecciosos,
o paciente só era diagnosticado quando o organismo produzia anticorpos, quase
uma semana depois de ser infectado.
Com
o novo teste, a leptospirose pode ser detectada no primeiro ou segundo dia de
contaminação.
A
doença é transmitida principalmente pela urina de animais infectados. Seus
sintomas são febre, dor de cabeça e comprometimento gastrointestinal.
"O
mais importante para o paciente é o diagnóstico precoce. E para a Vigilância
Epidemiológica a importância é saber o tipo de bactéria circulante, para que se
possa controlar os animais [cães, bois ou outros mamíferos] da cadeia de
transmissão e evitar surtos e epidemias", afirma a microbiologista Ilana
Balassiano, do Instituto Oswaldo Cruz.
RECONHECIMENTO
A pesquisa foi divulgada na revista científica "Diagnostic Microbiology and Infections Disease", em 2012. Os resultados serão apresentados no Congresso de Microbiologia na Alemanha, em julho deste ano.
![]() |
A microbiologista Ilana Balassiano, uma das responsáveis pelo novo teste
em laboratório na Fiocruz
|
O
novo teste é chamado de PCR-Imunocaptura. Segundo Balassiano, existem
aproximadamente 20 espécies de bactérias da doença.
A
identificação é feita em diferentes níveis --gênero, espécie e outros-- para
classificar a bactéria e apontar o animal associado à cadeia de transmissão da
doença.
A
pesquisadora conta que deposita o soro infectado com leptospira numa placa com
diferentes anticorpos. Em seguida, faz-se a extração de DNA para identificar a
bactéria e fazer o diagnóstico da doença.
"Esse
teste [da Fiocruz] é mais preciso. É uma ferramenta a mais do diagnóstico já
que os sintomas da leptospirose podem se parecer com os de várias outras
doenças", diz o professor de infectologia pediátrica e diretor do
Instituto de Pediatria da UFRJ, Edimilson Migowski.
O
Ministério da Saúde informou que o estudo ainda será analisado pela Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pela Secretaria de Vigilância em
Saúde.
Desde
2005, o Brasil registrou 31.418 casos de leptospirose. Em 2011 houve o maior
número de doentes: 4.832, com 436 mortes.
Só
no ano passado, foram registrados 3.242 casos e 268 óbitos. Neste ano, o número
já chega a 693, sendo 63 as vítimas fatais.
Fonte: Folha de São Paulo
Por: DIANA BRITO
Imagem: Editoria de Arte/Folhapress
Teste do pezinho detecta risco de câncer raro
Uma
pesquisa de médicos do Paraná usou o teste do pezinho para diagnosticar a
predisposição ao câncer em recém-nascidos.
O
exame, obrigatório no país todo, detecta doenças que podem levar a deficiências
intelectuais.
O
resultado do trabalho, realizado entre 2006 e 2010, foi publicado nesta semana
no "Journal of Clinical Oncology" e mostra que o diagnóstico precoce
feito com o teste contribui decisivamente para a cura da doença.
Os
médicos usaram a mesma gota de sangue colhida para o exame comum para procurar
uma mutação genética que indica predisposição ao câncer, em especial ao tumor
de córtex adrenal.
Trata-se
de um tipo raro de câncer da glândula adrenal e cuja incidência é maior na faixa
que vai do Rio Grande do Sul ao sul de Minas Gerais, onde atinge quatro
crianças por milhão, 15 vezes a média mundial. As causas disso estão em estudo.
Das
cerca de 500 crianças com resultado positivo para a mutação, 17 tiveram câncer,
com taxa de sobrevivência de 80%. O comum é de 50%.
No
caso dos pacientes que fizeram o acompanhamento com regularidade, o percentual
de cura foi de 100%.
Entre
os casos, destaca-se o de Kauan Barros Gomes, 5, que recebeu o diagnóstico aos
dez meses de idade. Na época, o tumor tinha 0,6 cm --é o menor já relatado na
literatura médica até hoje.
Segundo
o coordenador da pesquisa, o médico Bonald Figueiredo, do Instituto de Pesquisa
Pelé Pequeno Príncipe, outros 700 casos de câncer foram identificados.
"É
uma multidão que passa a ficar atenta a qualquer sintoma, o que aumenta as
chances de diagnóstico precoce e de cura", diz.
Para
os pesquisadores, o estudo abre caminho para que sejam implantados outros
programas de vigilância em saúde pública a partir do teste de DNA. No Paraná, o
governo estuda decretar a obrigatoriedade do exame.
"Dá
para estender a mesma rotina a outras doenças, de acordo com a incidência
regional", afirma a pediatra Maria José Mastellaro, do Centro Infantil
Boldrini, de Campinas (SP), que realiza uma pesquisa semelhante.
O
rastreamento genético, porém, é questionado. Críticos ponderam que é preciso
assegurar que os benefícios do teste compensem os impactos do rastreamento.
"O
teste não identifica a doença em si, mas uma predisposição. Vai submeter um
grande número de pessoas a um estresse que, para a maioria, será
desnecessário", diz o endocrinologista Daniel Freire, do HC da USP.
Das
crianças testadas no Paraná, só 0,27% apresentavam a mutação. Destas, só 3%
tiveram câncer.
Para
Figueiredo, os benefícios do aconselhamento genético e da prevenção do câncer
na família compensam os impactos. "Um quarto dos membros da família terá a
mutação", diz.
Fonte: Folha de São Paulo
Por: Estelita Hass Carazzai
Imagem: Editoria de Arte/Folhapress
terça-feira, 7 de maio de 2013
Medicamento anti-HIV é obtido de soja transgênica
Remédio
na planta
O uso
milenar de plantas para aliviar doenças ganha outras formas sob o domínio da
biotecnologia. Dezenas de experimentos em todo o mundo, em empresas ou
instituições acadêmicas, utilizam técnicas de inserção de genes em genomas de
plantas que possam codificar enzimas de interesse farmacológico. Assim é
possível que o cultivo de soja, milho e batata ou mesmo plantas ornamentais
possa no futuro ser usado em larga escala, em versões transgênicas, para a
produção de medicamentos. Um exemplo desses experimentos que acontecem no
Brasil, na unidade de Recursos Genéticos da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), em Brasília, é o desenvolvimento de uma variedade de
soja com um viricida ou microbicida, capaz de prevenir a contaminação pelo
vírus causador da Aids. Com a ajuda da engenharia genética, essa leguminosa
está produzindo sementes, em uma estufa na capital federal, com a enzima
cianovirina-N que já teve comprovada sua eficácia contra o vírus em testes
laboratoriais em estudos pré-clínicos.
Esse tipo de experimento ganhou força em maio de
2012, quando a Food and Drug Administration (FDA), a agência federal
norte-americana de regulação de medicamentos e alimentos, aprovou para uso
comercial o primeiro fármaco produzido com engenharia genética em células de
plantas para seres humanos. O princípio ativo é a proteína taliglucerase alfa,
produzida em células de cenoura transgênica para tratamento da doença de
Gaucher, uma enfermidade genética e rara provocada pela falta no
organismo da glucocerebrosidase, uma enzima atuante no processamento de
glicocerebrosídeos, um tipo de gordura celular. O paciente tem anemia e
aumento do baço e do fígado. O medicamento desenvolvido e produzido pela
empresa israelense Protalix, e distribuído em parceria com a norte-americana
Pfizer, foi também aprovado em Israel e no Brasil, pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), em março deste ano, com o nome de Uplyso. O
tratamento até agora era feito com outro fármaco em que a proteína é produzida
em linhagens de células modificadas de hamsters, num processo
biotecnológico que está mais sujeito a contaminações.
A proteína sintetizada na cenoura é similar à
produzida pelo próprio organismo humano. No caso da cianovirina a história é
diferente. Ela foi isolada na década de 1990 de uma cianobactéria, que leva o
nome científico de Nostoc ellipsosporum, em pesquisas do Instituto
Nacional de Câncer (NCI, na sigla em inglês) e dos Institutos Nacionais de
Saúde (NIH) dos Estados Unidos. As cianobactérias são bactérias azuis e
chamadas erroneamente de algas azuis. Pesquisadores dos NIH e da Universidade
de Londres, na Inglaterra, idealizaram um gel com a cianovirina para ser
aplicado antes das relações sexuais. O princípio ativo inibe a replicação do
HIV ao se ligar aos oligossacarídeos (açúcares) do vírus. “A cionovirina-N está
no estágio de desenvolvimento pré-clínico, portanto ainda não foi testada em
seres humanos”, diz o pesquisador Barry O’Keefe, vice-chefe de biologia
molecular do laboratório de alvos moleculares do NCI. Ele liderou um estudo
publicado em 2003 que demonstrou a atividade da proteína também contra alguns
vírus da gripe (influenza A e B) e participa dos estudos para o
desenvolvimento da cianovirina. “Falta um meio comercialmente viável, de baixo
custo, de produção em larga escala da cianovirina-N, e as plantas são um bom
caminho para esse fim”, diz O’Keefe.
Obter a proteína em grande quantidade foi a dificuldade
inicial dos pesquisadores norte-americanos logo depois dos estudos
laboratoriais que indicaram as atividades contra alguns tipos de vírus. Os NIH
tentaram a produção via DNA recombinante, em que o gene codificador da proteína
é inserido no genoma de outra bactéria mais fácil de cultivar, a Escherichia
coli, para a posterior extração da substância. Mas a produção foi baixa e
se mostrou economicamente inviável. A solução encontrada pelo pessoal dos NIH,
liderado por O’Keefe, foi procurar o professor Elíbio Rech, da Embrapa,
coordenador do grupo brasileiro que havia depositado uma patente no exterior,
de uma técnica para inserção de genes em soja, e tinha experiência no
desenvolvimento de culturas transgênicas. “Os norte-americanos nos procuraram
em 2007 e fizemos a parceria. Eles nos repassaram a sequencia genética
codificadora do gene que inserimos no genoma de uma variedade de soja da
Embrapa, a 10-16. E deu certo, já temos as sementes das plantas engenheiradas
por nós produzindo a cianovirina”, diz Rech. Eles isolaram o princípio ativo da
soja. O ensaio viral para a confirmação da ação da cianovirina produzida pela
Embrapa foi feito pelo professor Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), e também no laboratório de O’Keefe, nos Estados Unidos. E o
resultado foi positivo.
O desafio atual é melhorar o processo de extração
da proteína, purificando quantidades maiores da cianovirina das sementes de
soja. “Nossos resultados apontaram a presença de 10 gramas (g) da proteína por
quilo de sementes frescas. Sabemos que não podemos tirar os 100% de fármaco do
grão da leguminosa porque é normal que ocorram perdas no processo de
purificação. Até agora já atingimos os 20%, ou 2 g, e nossa meta é atingir
50%”, diz Rech. O processo de purificação de proteína é trabalhoso, exige
várias fases. No caso da Embrapa, a purificação está sendo realizada com
resinas. Conforme o óleo de soja passa por um processo semelhante a uma
filtração em que as resinas fazem o papel de filtros, as proteínas contidas na
soja vão se dissolvendo, inclusive a cianovirina.
“Nossa intenção é produzir uma quantidade
suficiente da proteína para testar o principio ativo em macacas nos Estados
Unidos, e posteriormente em seres humanos”, explica Rech. O propósito do
trabalho dos NIH, da Universidade de Londres e do Conselho para a Pesquisa
Científica e Industrial (Csir Biosciences) da África do Sul, que são grupos que
participam da pesquisa, é levar o gel para o continente africano, onde a
transmissão de Aids ainda é grande. A produção da cianovirina também está sendo
testada em plantas de tabaco na Inglaterra, na Universidade de Londres, e nos
Estados Unidos. “No tabaco, o medicamento não está apenas nas sementes, mas se
expressa na planta toda. Na África, sob a liderança da pesquisadora Rachel
Chikwamba, do Csir, os experimentos também seguem o caminho de produzir a
cianovirina em soja e em tabaco, mas ainda não obtiveram sucesso”, diz Rech.
Outra conquista da Embrapa em Brasília foi o
desenvolvimento de algumas linhagens de soja transgênica que produzem em suas
células o fator IX de coagulação, um componente existente no sangue humano cuja
falta é uma das causas da hemofilia, doença genética em que a pessoa sofre
problemas na cicatrização e na contenção de hemorragias. Ele é produzido
atualmente de plasma sanguíneo, a partir do sangue doado nos hospitais, ou em
cultura de células de camundongos por meio da inserção no genoma do roedor do
gene que codifica a proteína do fator IX. “Há um gargalo também no
desenvolvimento de sistemas de purificação mais eficientes e produtivos”, diz
Rech. “Terminamos essa soja com fator IX no ano passado depois de cinco anos,
testamos a molécula presente nas sementes e agora repassamos o material para a
Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP)],
parceira do projeto, para a sequência da fase de purificação da molécula.”
“Recebemos 360 g de soja liofilizada transgênica e
já foram feitos os testes que mostram a presença dessa proteína, o fator IX.
Agora, como assumi o cargo de professora do Departamento de Genética da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, esses estudos estão sob a
coordenação dos professores Dimas Tadeu Covas e Lewis Joel Greene, do
Hemocentro de Ribeirão Preto”, diz a bióloga Aparecida Maria Fontes, que era
pesquisadora do Hemocentro e parceira na pesquisa. “A produção de fator IX em
planta é muito importante porque, além de não se utilizar o material dos bancos
de sangue que é escasso, cria-se uma alternativa com outro veículo de produção.
Até o momento, a única molécula do fator IX produzida com técnicas
biotecnológicas é elaborada em células de hamsters”, diz Aparecida.
Em todas as pesquisas e mesmo em futuras plantações
de soja transgênica, que vão produzir medicamentos, são levadas em conta várias
iniciativas de biossegurança. “As plantas são produzidas sob contenção, em casas
de vegetação [estufas] totalmente teladas. Isso acontece para evitar situações
que são até muito difíceis de acontecer como, por exemplo, que um pássaro pegue
uma semente e leve para outro lugar onde a soja germine e alguém possa comer as
sementes. Não é veneno, mas devemos lidar com essas plantas como fonte de
medicamento, de forma diferente da soja usada na alimentação. As plantações
futuras também deverão ser cercadas, de modo a que nenhum estranho tenha
acesso”, diz Rech.
Entre as vantagens da geração de fármacos em
plantas estão os custos mais baixos, com produção de larga escala e também com
a segurança se comparada com células humanas, fungos, bactérias e animais.
“Também é mais fácil de manipular o produto agrícola. A vantagem da soja ou de
outro vegetal é que podemos colher e estocar”, diz Rech. Em um artigo publicado
na revista Nature em 2012 (10 de maio) na seção News in Focus, que
comentou a aprovação para uso comercial do medicamento para doença de Gaucher
produzido com cenouras, o autor, Amy Maxmen, diz que o Elelyso, ou Uplyso,
remédio aprovado pela FDA, pode ser vendido por 75% do valor do medicamento
tradicional, o Cerezyme, produzido com células de hamsters. O tratamento
tradicional pode custar até US$ 300 mil por ano por paciente. Maxmen informa
que o mercado global de fármacos de produtos biotecnológicos alcançou a marca
de US$ 149 bilhões em 2010. “O futuro dos métodos de produção à base de plantas
é muito promissor para os biofarmacêuticos. É um momento muito emocionante para
quem trabalha com esse tipo de pesquisa”, diz O’Keefe à Pesquisa FAPESP.
“Elibio Rech e seus colegas na Embrapa fazem parte de uma indústria crescente
de grande importância para o futuro.”
Fonte: Revista Fapesp online abril/2013
Por: Marcos de Oliveira
Artigos científicos
O’Keefe, B.R. et al. Potent Anti-Influenza Activity of Cyanovirin-N and Interactions with Viral Hemagglutinin. Antimicrobial Agents and Chemotherapy. v. 47, n. 8, p. 2.518-25. ago. 2003.
O’Keefe, B.R. et al. Potent Anti-Influenza Activity of Cyanovirin-N and Interactions with Viral Hemagglutinin. Antimicrobial Agents and Chemotherapy. v. 47, n. 8, p. 2.518-25. ago. 2003.
Rech, E.L. et al. High-efficiency transformation by biolistics of soybean, common bean and cotton transgenic plants. Nature Protocols. v.3, n. 3, p. 410-18. fev. 2008.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Cientistas desenvolvem rim de laboratório
Um rim "criado" em laboratório foi
transplantado para animais onde começou a produzir urina, afirmam cientistas
norte-americanos.
A técnica, desenvolvida pelo Hospital Geral de Massachusetts e apresentada na
publicação Nature Medicine, resulta em rins menos eficazes do que os
naturais. Mesmo assim, os pesquisadores de medicina regenerativa afirmam que
ela representa uma enorme promessa.
Técnicas semelhantes para desenvolver partes do corpo mais simples já tinham
sido utilizadas antes, mas o rim é um dos órgãos mais complicados de ser
desenvolvido.
Os rins filtram o sangue para remover resíduos e excesso de água. Eles também são o órgão com o maior número de pacientes na fila de espera de transplantes.
A técnica dos cientistas americanos consiste em usar um rim velho, retirar todas as suas células antigas e deixar apenas uma espécie de esqueleto, uma estrutura básica, que funcione como uma espécie de armação. A partir daí, o rim seria então reconstruído com células retiradas do paciente.
Os rins filtram o sangue para remover resíduos e excesso de água. Eles também são o órgão com o maior número de pacientes na fila de espera de transplantes.
A técnica dos cientistas americanos consiste em usar um rim velho, retirar todas as suas células antigas e deixar apenas uma espécie de esqueleto, uma estrutura básica, que funcione como uma espécie de armação. A partir daí, o rim seria então reconstruído com células retiradas do paciente.
Isso teria duas grandes vantagens sobre os habituais transplantes de rim.
Como o novo tecido será formado com células do paciente, não será necessário o uso de drogas antirrejeição, que evitam que o sistema imunológico bloqueie o funcionamento do órgão "estranho" ao corpo.
Como o novo tecido será formado com células do paciente, não será necessário o uso de drogas antirrejeição, que evitam que o sistema imunológico bloqueie o funcionamento do órgão "estranho" ao corpo.
Seria possível também aumentar consideravelmente o número de órgãos disponíveis
para transplante. A maioria dos órgãos usados atualmente acaba rejeitada.
Teia de células
Teia de células
Nesse estudo, os pesquisadores usaram um rim de
rato e aplicaram um detergente para retirar as células velhas.
A teia de células restante, formada por proteínas,
tem a forma do rim, e inclui uma intrincada rede de vasos sanguíneos e tubos de
drenagem.
Esta rede de tubos foi utilizada para bombear as células adequadas para a parte direita do rim, onde se juntaram com a "armação" para reconstruir o órgão.
O órgão reconstituído foi mantido em um forno especial por 12 dias para imitar as condições no corpo de um rato.
Quando os rins foram testadas em laboratório, a produção de urina chegou a 23% das estruturas naturais.
A equipe, então, transplantou o órgão para um rato.
Uma vez dentro do corpo, a eficácia do rim caiu para 5%.
No entanto, o pesquisador principal, Harald Ott,
disse à BBC que a restauração de uma pequena fração da função normal já pode
ser suficiente: "Se você estiver em hemodiálise, uma função renal de 10% a
15% já seria suficiente para livrar o paciente da hemodiálise. Ou seja, não
temos que ir até o fim (garantir os 100% da função renal)."
Ele disse que o potencial é enorme: "Se você pensar sobre os Estados Unidos, há 100 mil pacientes aguardando por transplantes de rim e há apenas cerca de 18 mil transplantes realizados por ano."
Ele disse que o potencial é enorme: "Se você pensar sobre os Estados Unidos, há 100 mil pacientes aguardando por transplantes de rim e há apenas cerca de 18 mil transplantes realizados por ano."
"O impacto clínico de um tratamento
bem-sucedido seria enorme."
'Realmente impressionante'
'Realmente impressionante'
Seriam necessárias ainda várias pesquisas antes de
que o procedimento fosse aprovado para uso em pessoas.
A técnica necessita ser mais eficiente, para a
restauração de um maior nível de função renal. Os pesquisadores também precisam
provar que o rim continuaria a funcionar por um longo tempo.
Haverá também os desafios impostos pelo tamanho de
um rim humano. É mais difícil colocar as células novas no lugar certo em um
órgão maior.
O professor Martin Birchall, cirurgião do University College de Londres, envolveu-se em transplantes de traqueia produzidos a partir de armações desenvolvidas em laboratório.
Sobre a pesquisa com o rim, ele disse: "É extremamente interessante, e realmente impressionante."
"Eles (os pesquisadores que desenvolveram o rim de rato) abordaram algumas das principais barreiras técnicas para tornar possível a utilização de medicina regenerativa para tratar de uma necessidade médica muito importante."
Ele disse que tornar o desenvolvimento de órgãos acessível a pessoas que necessitam de um transplante de órgão poderia revolucionar a medicina: "Do ponto de vista cirúrgico, é quase o nirvana da medicina regenerativa que você possa atender à maior necessidade de órgãos para transplante no mundo - o rim."
O professor Martin Birchall, cirurgião do University College de Londres, envolveu-se em transplantes de traqueia produzidos a partir de armações desenvolvidas em laboratório.
Sobre a pesquisa com o rim, ele disse: "É extremamente interessante, e realmente impressionante."
"Eles (os pesquisadores que desenvolveram o rim de rato) abordaram algumas das principais barreiras técnicas para tornar possível a utilização de medicina regenerativa para tratar de uma necessidade médica muito importante."
Ele disse que tornar o desenvolvimento de órgãos acessível a pessoas que necessitam de um transplante de órgão poderia revolucionar a medicina: "Do ponto de vista cirúrgico, é quase o nirvana da medicina regenerativa que você possa atender à maior necessidade de órgãos para transplante no mundo - o rim."
Fonte: Notícias UOL.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)











