Colaboradores

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Microcefalia in vitro

Vírus zika se replica em células neurais graças a manipulações genéticas que interrompem desenvolvimento do cérebro.

© IDOR
Células tronco neurais infectadas com ZikV isolado no Brasil. Azul: núcleos celulares. Verde: Nestina. Laranja: Zika vírus
Quando invade o cérebro, o vírus zika ocasiona alterações no funcionamento da maquinaria genética de maneira que as células nervosas deixam de se dividir e se diferenciar nos vários tipos que compõem o órgão responsável por comandar o funcionamento do corpo. Além disso, também ativam genes que ajudam o próprio vírus a se replicar. Dito assim pode parecer quase óbvio, mas chegar a essas conclusões envolveu uma conjunção de especialistas de diversas instituições brasileiras trabalhando com os mais atuais modelos e técnicas, como mostra artigo publicado em 23 de janeiro na revista Scientific Reports.

“Podemos investigar a ação do vírus em modelos com complexidade celular crescente”, conta o neurocientista Erick Loiola, pesquisador em pós-doutorado no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), no Rio de Janeiro, e um dos autores do trabalho. Ele se refere ao cultivo bidimensional de células nervosas em placas, aos aglomerados de células conhecidos como neuroesferas e aos minicérebros, ou organoides cerebrais. Estes últimos são estruturas mais complexas que reproduzem características de um cérebro um pouco mais desenvolvido, como o de um feto aos 3 meses de gestação. Loiola faz parte do grupo liderado pelo neurocientista Stevens Rehen, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor de pesquisa do Idor.
Desde 2009, pesquisadores liderados por Stevens Rehen estabeleceram linhagens de células-tronco de pluripotência induzidas (iPS), que podem gerar uma série de tecidos diferentes a partir de células adultas, na maior parte das vezes retiradas da pele. A partir daí, logo adquiriram a técnica para produzir as versões tridimensionais que servem de modelo para o estudo de vários aspectos do funcionamento e do desenvolvimento do cérebro, como no caso dos distúrbios psiquiátricos há anos estudados por Rehen.
Os minicérebros eram considerados modelos para estudo de microcefalia desde 2013, dois anos antes de o vírus zika ganhar fama mundial pela conexão com o nascimento de bebês com o cérebro menor do que o esperado para a idade gestacional e outros danos neurológicos. E já eram produzidos no Idor, assim como as neuroesferas. Isso pôs o laboratório em posição privilegiada para fazer frente à epidemia e testar os efeitos do vírus. No ano passado, o grupo indicou que as neuroesferas infectadas pela linhagem africana do vírus zika se degradam e que células infectadas têm dificuldade em formar os aglomerados.
© IDOR
Aqui núcleos celulares em amarelo e vírus zika em rosa
DNA manipulado
Agora foi a vez de examinar com maior precisão o que acontece no desenvolvimento das células infectadas pela linhagem viral em circulação no Brasil, isolada de um paciente do Espírito Santo, e do ponto de vista da sala de comando – os genes. Isso foi possível analisando o RNA e seus produtos – as proteínas – encontrados nas células, como indicação da atividade genética. “Analisamos as neuroesferas logo no início de seu desenvolvimento, antes que as células começassem a morrer”, explica a bióloga Juliana Minardi, que faz estágio de pós-doutorado no Laboratório de Neuroproteômica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenado pelo biólogo Daniel Martins-de-Souza. 
Eles já trabalhavam em parceria com o Idor em um projeto sobre esquizofrenia, então foi simples aplicar o mesmo modelo à infecção por zika.

A ideia era justamente investigar o que causava a deficiência já observada no desenvolvimento das neuroesferas, quando as células progenitoras se diferenciam em neurônios e células da glia (que formam a estrutura do cérebro). Ao analisar a diferença entre células infectadas e sadias logo nos primeiros dias, eles detectaram alterações na produção de cerca de 500 proteínas – um amplo repertório para causar alterações em uma gama de funções celulares. Depois de identificá-las com base em estudos anteriores, ficou claro que o zika cria um ambiente de instabilidade que turbina a produção de proteínas ligadas ao reparo de DNA. Na prática, porém, essas proteínas acabam inibindo a produção de moléculas associadas à proliferação e à diferenciação das células neurais e replicando o material genético do vírus. O resultado são neuroesferas mais escassas, mirradas e malformadas. “O ambiente promovido pelo vírus nas neuroesferas leva suas células a interromper seu ciclo normal de vida, incluindo sua diferenciação em neurônios”, conclui Martins-de-Souza.
Para os pesquisadores da Unicamp, esse tipo de olhar detalhado pode ajudar a identificar alvos interessantes de medicamentos que já estão em teste para outras doenças, além de outros ainda não descobertos. Um exemplo de drogas já conhecidas é a cloroquina, usada há décadas contra malária, e que em testes com células neurais humanas e neuroesferas de camundongo se mostrou capaz de inibir a proliferação do vírus e a morte de células, de acordo com estudo coordenado pelo virologista Amilcar Tanuri, da UFRJ, em parceria com o grupo de Rehen e publicado em dezembro na revista Viruses. Outra parceria avaliou o antiviral sofosbuvir, normalmente usado contra a hepatite C, que revelou efeito protetor em minicérebros em estudo liderado pelo biólogo Thiago Moreno Souza, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro, publicado em 18 de janeiro na Scientific Reports. Loiola, também coautor desse artigo, considera os resultados altamente promissores, embora nem todos os países tenham aprovado o sofosbuvir para uso em grávidas, cujos fetos são as maiores vítimas do risco de microcefalia. “O laboratório está pronto para oferecer os três modelos neurais, que variam em complexidade e velocidade de resposta, para uso como plataforma de teste de drogas”, afirma.
Projeto
Desenvolvimento de um teste preditivo para medicação bem sucedida e compreensão das bases moleculares da esquizofrenia através da proteômica (nº 2013/08711-3); Modalidade Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes; Pesquisador responsável Daniel Martins de Souza (Unicamp); Investimento R$ 1.794.423,85.

Artigos científicos
GARCEZ, P. P. et al. Zika virus disrupts molecular fingerprinting of human neurospheres. Scientific Reports. v. 7, n. 40780. 23 jan. 2017.
SACRAMENTO, C. Q. et al. The clinically approved antiviral drug sofosbuvir inhibits Zika virus replication. Scientific Reports. v. 7, n. 40920. 18 jan. 2017.
DELVECCHIO, R. et al. Chloroquine, an endocytosis blocking agent, inhibits Zika virus infection in different cell models. Viruses. v. 8, n. 12, p. 322. dez. 2016.

Fonte: Revista Fapesp on line jan/2017
Por: Maria Guimarães 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Metodista realiza evento para receber novos alunos


No dia 6 de fevereiro, primeiro dia de aula, a Metodista realiza a Recepção dos Calouros – Nação Metô, que acontece simultaneamente nos três campi (Rudge Ramos, Planalto e Vergueiro) nos períodos da manhã e noite.
O evento em 2017 terá um formato diferente em relação aos últimos quatro anos.
Para abrir a festa, os calouros deverão se direcionar às barracas nas entradas dos campi para retirar o ‘Kit Calouro’. Em seguida, os alunos serão direcionados para a praça central ou auditório, dependendo do campus, e serão recebidos pela direção da Instituição e pelos principais núcleos da Universidade, como o Núcleo de Arte e Cultura, Assessoria para Inclusão e Pastoral Universitária. As atléticas dos cursos também estarão presentes para dar as boas-vindas.
Além dessas atividades, os campi Rudge Ramos e Vergueiro contarão com as apresentações das baterias Makossa e Batucaloco. O objetivo da Universidade é integrar os calouros para que se sintam parte da ‘Nação Metô’.
Uma outra novidade deste ano é o aplicativo com o mapa de cada campus, o qual pode ser encontrado para download no site da Nação Metô.
Campus Rudge Ramos
Horário: das 7h às 9h10 e das 19h30 às 21h
Local: Praça Central
Campus Planalto 
Horário: 7h às 9h10 e das 19h30 às 21h
Local: Auditório
Campus Vergueiro 
Horário: das 19h30 às 21h
Local: Auditório
Fonte: http://portal.metodista.br/noticias/2017/fevereiro/metodista-realiza-evento-para-receber-novos-alunos

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Confira os benefícios para vocês estudar na Universidade Metodista!


Para conferir os benefícios especiais para você estudar na Universidade Metodista de São Paulo acesse o site: http://educacaometodista.org.br/incentivos/metodista

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Estudo revela como o cérebro de predadores organiza a caça

Em artigo na Cell, pesquisadores demonstraram que o núcleo central da amígdala é a região responsável por articular as diferentes habilidades envolvidas na perseguição e no abate de presas


© WIKIMEDIA COMMONS
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A caça predatória, da qual muitos animais selvagens dependem para sobreviver, é considerada por estudiosos do cérebro um comportamento complexo, pois envolve diferentes habilidades que precisam ser exercidas de maneira eficiente e articulada para que o predador obtenha sucesso.

Por meio de experimentos com camundongos, pesquisadores brasileiros e norte-americanos conseguiram demonstrar que uma região cerebral conhecida como núcleo central da amígdala é a responsável por organizar as ações envolvidas na caça predatória. Mostraram ainda que isso ocorre por meio de duas redes neuronais distintas: uma que organiza a perseguição e a captura da presa e, outra, o controle motor da mandíbula e do pescoço necessário para que o predador consiga desferir a mordida fatal.
Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram divulgados  quinta-feira (12/01) na revista Cell.
“A maneira modular pela qual o controle é exercido é relevante. O trabalho dá detalhes novos sobre o controle neural de músculos craniofaciais, o que pode contribuir para o entendimento de patologias que afetam essa região. Além disso, aplicações práticas no campo da engenharia, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de algorítmica robótica, estão sendo consideradas”, disse Ivan de Araujo, professor de Psiquiatria da Escola de Medicina de Yale, nos Estados Unidos.
Em seu laboratório, Araujo se dedica a estudar as bases neurais do comportamento alimentício de mamíferos. A parceria com o professor Newton Canteras, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), surgiu devido ao interesse em compreender como é controlada a busca de alimentos em condições próximas às enfrentadas na natureza. Em trabalhos anteriores, o grupo do ICB-USP havia mostrado que uma forte ativação do núcleo central da amígdala ocorria quando o animal estava caçando.
“Considerando a experiência de Canteras em comportamento de caça e a visita de membros de seu grupo a meu laboratório, resolvemos aplicar o modelo de predação de insetos a camundongos geneticamente modificados”, contou Araujo.
Parte do trabalho foi feita durante o pós-doutorado de Simone Motta e o doutorado de Miguel Rangel – ambos bolsistas da FAPESP e orientandos de Canteras. Também colaborou a professora aposentada do Departamento de Fisiologia do ICB-USP Sara Shammah-Lagnado.
Interrogando neurônios
Diversos experimentos e técnicas foram empregados com o intuito de “interrogar” os neurônios da amígdala central e, assim, descobrir as vias envolvidas no controle das ações da caça predatória. Conforme explicou Motta, uma das mais importantes foi a optogenética, que permite ativar e desativar neurônios quase instantaneamente por meio de estímulos luminosos.
“Por meio de um vetor viral, inserimos nos neurônios da região de interesse uma proteína que atua como receptor celular e faz com que esse neurônio passe a responder à luz. Dependendo do receptor inserido, o neurônio pode ser ativado ou desativado com o estímulo luminoso. Além disso, inserimos uma fibra óptica que leva o laser ao local. O tempo decorrido entre ligar ou desligar o laser e o neurônio ser ativado ou desativado é muito curto e, portanto, permite relacionar a função neuronal com o que estamos observando em termos comportamentais”, explicou Motta.
É possível usar a mesma lógica de modificação do neurônio por vetores virais para tornar o processo de ativação e desativação ainda mais específico – discriminando, por exemplo, neurônios glutamatérgicos (que liberam o neurotransmissor glutamato) e neurônios gabaérgicos (que secretam o ácido gama-aminobutírico).
“Alguns experimentos foram feitos com animais que expressavam a enzima Cre recombinase apenas em neurônios glutamatérgicos, por exemplo. Em seguida, inserimos um vírus Cre dependente que leva o receptor sensível à luz apenas àqueles neurônios marcados com a enzima. Assim, conseguimos ativar ou desativar apenas a população de neurônios glutamatérgicos para descobrir o que acontece”, disse Motta.
Outra possibilidade é causar a morte seletiva de uma determinada população de neurônios por meio da injeção de um vírus Cre dependente capaz de codificar uma proteína chamada caspase, que sinaliza para a célula entrar em apoptose (morte celular programada).
Todo esse conjunto de experimentos permitiu mapear as duas diferentes vias neuronais – ambas mediadas por neurônios gabaérgicos – que se complementam na organização da caça. Uma delas vai do núcleo central da amígdala para uma região do tronco cerebral conhecida como formação reticular pontina (PCRt, na sigla em inglês).
Ali estão neurônios que se projetam para a região motora do núcleo ambíguo do décimo primeiro par de nervos – que controla a movimentação da cabeça – e para a região motora do nervo trigêmeo – envolvido na movimentação da mandíbula.
“Os experimentos mostraram, por exemplo, que, se eliminarmos os neurônios que se projetam para a região motora do trigêmeo, o animal corre atrás da presa, mas não consegue dar a mordida necessária para fazer o abate. Por outro lado, continua a mastigar normalmente a ração oferecida no laboratório, mostrando que é outro circuito neuronal que controla esse comportamento alimentar”, contou Motta.
A segunda via parte do núcleo central da amígdala para a substância cinzenta paraquedutal (PAG, na sigla em inglês). Localizada no mesencéfalo, a PAG se projeta para a medula espinhal e orienta a corrida e a perseguição.
“Quando os neurônios dessa via foram eliminados, o tempo de latência para o animal começar a caçar aumentou fortemente. Porém, quando conseguia capturar a presa, ele a abatia sem dificuldades, pois a via da PCRt estava funcionando normalmente”, disse Motta.
Em outro experimento foi avaliada a força da mordida, que não se alterou quando foram eliminados neurônios da via PAG, mas diminuiu fortemente quando os neurônios da via PCRt foram mortos.
Quebra de paradigmaNa avaliação de Canteras, os resultados da pesquisa contribuem para quebrar um paradigma antigo na área de neurociências: o de que a amígdala central é a região responsável por organizar comportamentos relacionados ao medo – como, por exemplo, “congelar” diante de um predador maior ou virar de barriga para cima e demonstrar submissão a um membro hierarquicamente superior da mesma comunidade.
Nos experimentos iniciais, mostrou-se que, quando o núcleo central da amígdala era estimulado pela luz, em vez de surgirem comportamentos defensivos – que indicariam medo – os animais começavam a mastigar, mesmo sem ter qualquer alimento na boca.
“Mostramos agora, de forma cabal, que esse [núcleo central da amígdala] é um centro para organizar comportamentos de caça. E, nesse sistema, pode haver mecanismos que façam o animal parar de caçar em condições ambientais adversas. Então, o que antes se interpretou como medo, poderia ser apenas um sinal para o animal parar de caçar por falta de condições favoráveis”, avaliou Canteras.

Assista  o vídeo realizado pelo Núcleo de Divulgação Científica da USP no site abaixo:


Artigo científicoWENFEI, H et al. Integrated Control of Predatory Hunting by the Central Nucleus of the AmygdalaCell. v. 168, p. 311-24. 12 jan. 2017

Fonte: Revista Fapesp on line - jan/2017 
Por: Karina Toledo

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Novo anticorpo é capaz de diminuir carga do vírus HIV no sangue

Resultados ampliam perspectivas de se obter classe de drogas alternativa contra a doença

© NIAID
Micrografia eletrônica de varredura de partículas de HIV infectando uma célula T H9 humana, colorida em azul, turquesa e amarelo
Um anticorpo desenvolvido pelo grupo do imunologista brasileiro Michel Nussenzweig, do Laboratório de Imunologia Molecular da Universidade Rockefeller, em Nova York, nos Estados Unidos, mostrou-se eficaz ao diminuir a carga do vírus HIV, causador da Aids, no sangue de pessoas infectadas.
Em um estudo publicado nesta segunda-feira, 16, na revista Nature Medicine, os pesquisadores relatam terem conseguido reduzir o número de cópias do HIV ao administrarem apenas uma dose de um anticorpo chamado 10-1074. É a primeira vez que esse anticorpo foi testado em seres humanos. Segundo o grupo liderado por Nussenzweig, os resultados ampliam as perspectivas de se obter uma nova classe de drogas com diferentes mecanismos de ação contra o HIV, enquanto não há vacina disponível.
O anticorpo 10-1074 pertence a uma geração de anticorpos que têm se mostrado eficazes no combate a uma grande variedade de cepas do HIV. Mais potentes do que os habituais, esses anticorpos são produzidos naturalmente por alguns pacientes e, em seguida, clonados e reproduzidos em laboratório.
Há algum tempo a equipe de Nussenzweig trabalha na obtenção de um conjunto de anticorpos capazes de atacar regiões do vírus vulneráveis à ação de células do sistema de defesa do organismo humano. A ideia é fazer um uso combinado desses diferentes tipos de proteínas do soro sanguíneo com antirretrovirais convencionais para tratar pessoas infectadas com HIV.
Em um estudo publicado em 2015 na revista Nature, a equipe de Nussenzweig descreveu resultados promissores envolvendo outro tipo de anticorpo, o 3BNC117. À época eles verificaram que o anticorpo reconhecia uma região específica do vírus, impedindo-o de se conectar a uma proteína da superfície dos linfócitos T do tipo CD4 e invadir essas células do sistema de defesa do organismo. O anticorpo 3BNC117 bloqueou a ação de 195 das 237 cepas testadas, mesmo quando administrado em pequenas quantidades.
O anticorpo 10-1074 descrito no estudo da Nature Medicine é mais potente do que o 3BNC117 —doses mais baixas são suficientes para que ele exerça atividade antiviral. No entanto, tem atividade contra um número menor de variedades do vírus. “As cepas resistentes ao 10-1074 não são resistentes ao 3BNC117”, explica a imunologista brasileira Marina Caskey, integrante da equipe de Nussenzweig e uma das autoras do artigo. “Esse dado é importante porque reforça a ideia de que o uso combinado de diferentes anticorpos pode ser mais efetivo do que o uso isolado de apenas um deles.”
O 10-1074 foi descoberto pelo pesquisador Hugo Mouquet, agora no Instituto Pasteur de Paris, na França. No estudo, os pesquisadores multiplicaram o anticorpo, administraram pequenas doses em 14 indivíduos não infectados e em outros 19 infectados com HIV-1 (subtipo mais comum e agressivo do vírus) por meio de uma única injeção intravenosa. Os pesquisadores monitoraram os níveis de anticorpos e a carga viral do HIV no sangue dos participantes ao longo de seis meses.
Verificaram que, no organismo, o 10-1074 se liga a uma região específica da superfície do vírus chamada V3 loop. O anticorpo mostrou-se seguro e bem tolerado por todos os participantes da experiência. Eles também observaram que o 10-1074 diminuiu e manteve sob controle, bastante baixa, a carga viral do HIV por até seis semanas.
A cada ano, o vírus infecta cerca de 3 milhões de pessoas no mundo, segundo os especialistas no assunto. Ao todo, estima-se que 37 milhões de pessoas não sabem que vivem com o vírus e 18 milhões não têm acesso a tratamento. No Brasil, apesar de a distribuição dos medicamentos antivirais ser gratuita por meio do sistema público de saúde, o número de casos novos Aids voltou a crescer, passando de 43 mil em 2010 para 44 mil em 2015 (ver Pesquisa FAPESP nº 250).
Os pesquisadores já iniciaram os testes envolvendo a ação combinada dos dois anticorpos e pretendem testar modificações desses mesmos anticorpos que prolongam a atividade antiviral por até quatro vezes mais tempo do que os anticorpos originais. “Acreditamos que, juntos, eles serão capazes de manter sua atividade durante vários meses, o que poderia potencialmente permitir sua administração a cada quatro ou seis meses”, explica Marina.
Artigo científico
CASKEY, Marina. et alAntibody 10-1074 suppresses viremia in HIV-1-infectedindividualsNature Medicine. 16 jan. 2017.

Fonte: Revista Fapesp on line
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online  janeiro de 2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Confira o gabarito do vestibular presencial deste 15 de janeiro

Resultado sai na terça, dia 17. Inscrições continuam abertas para processo seletivo em 2017

Já está disponível para conferência o gabarito da Prova Tradicional do Vestibular – 1º semestre de 2017, modalidade presencial, realizada neste domingo 15 de janeiro. Foram 40 questões de múltipla escolha e uma redação. Confira aqui. A lista dos aprovados sairá na próxima terça-feira, dia 17, a partir das 18h, e será disponibilizada no site da Metodista.
Os aprovados no processo seletivo devem imprimir o kit da matrícula no Portal da Metodista e comparecer com comprovante de pagamento e documentos (listados no site) para realizar matrícula dias 19, 20 e 23 de janeiro na Central de Atendimento ao aluno, no campus Rudge Ramos. Candidatos classificados no Vestibular que não forem convocados para a matrícula poderão protocolar no Portal da Metodista manifestação de interesse por vaga nos cursos que possuam vagas disponíveis.
Inscrições prosseguem
Para aqueles que não puderam comparecer neste final de semana, as inscrições para o Vestibular 2017 continuam abertas tanto para cursos presenciais quanto para Educação a Distância (EAD). Na graduação presencial é possível inscrever-se na próxima fase até 27 de janeiro, com provas digitais marcadas para 28 e 29 de janeiro. Saiba mais no site do Processo Seletivo (http://www.metodista.br/empregabilidade/)
Nos cursos a distância, as inscrições vão até 10 de fevereiro de 2017. As provas são diárias, de segunda a sexta-feira às 15h, 17h e 19h. Somente no sábado, 11/02, será às 10h.
Os cursos estão disponíveis em cinco grandes áreas do conhecimento: Ciências Médicas e da Saúde; Gestão e Direito; Comunicação, Educação e Humanidades; Teologia; Engenharias, Tecnologia e Informação. Para mais informações, acesse o Portal da Metodista.
Veja aqui como foi o vestibular neste 15 de janeiro.
Informações:
A relação completa dos cursos oferecidos e mais informações podem ser obtidas no Portal da Universidade (www.metodista.br) ou pelos telefones (11) 4366-5000 (Grande São Paulo) ou 0800 889 2222 (outras localidades)

Fonta: http://portal.metodista.br/processo-seletivo/noticias/confira-o-gabarito-do-vestibular-presencial-deste-15-de-janeiro

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Que tal começar 2017 em um curso de Inglês?

Acesse o site: http://www.cambridgeenglish.org/learning-english/

Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico


As recomendações do Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico, que dispensa a necessidade de jejum de 12 horas para exames do perfil lipídico já estão disponíveis para os laboratórios. Os exames onde o jejum pode ser dispensado são: Colesterol Total (CT), LDL‐C, HDL‐C, não‐HDL‐ C e Triglicérides (TG). O documento, distribuído aos laboratórios no início de dezembro, foi elaborado em conjunto pelas Sociedades Brasileiras: Cardiologia/Departamento de Aterosclerose (SBC/DA), Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Análises Clínicas (SBAC), Diabetes (SBD) e Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

A obrigatoriedade do jejum prolongado deverá ser avaliada pelo médico que acompanha o paciente em casos específicos, como quando este apresentar concentração de triglicérides acima de 440 mg/dL, fora do estado de jejum, sendo considerado como referência o nível desejável até 175 mg/dL. Neste caso, a orientação ao médico é que seja prescrito outra avaliação do TG, com o jejum de 12h, e dessa forma será considerado um novo exame de triglicérides pelo laboratório.

A não obrigatoriedade do jejum na maioria dos casos se dá pela constatação de que, graças ao avanço das metodologias diagnósticas, o consumo de alimentos antes da realização desses exames – desde que habituais e sem sobrecarga de gordura –, causa baixa ou nenhuma interferência na análise do perfil lipídico.

De acordo com a Normatização, a flexibilização evita que o paciente diabético, por exemplo, corra o risco de uma hipoglicemia por causa do jejum prolongado, entre outros transtornos e intercorrências mais comuns em gestantes, crianças e idosos.

Além de mais comodidade para o paciente, outro benefício decorrente da flexibilização, segundo os autores do documento, é a oportunidade que os laboratórios de análises clínicas têm de otimizar seu fluxo de atendimento, com mais horários disponíveis para a coleta, reduzindo assim o congestionamento especialmente no início das manhãs.

Essa prática já é realidade nos EUA, Canadá e em alguns países da Europa, e a intenção é que seja gradualmente aceita pelos laboratórios de análises clínicas do País. Para facilitar essa transição, as Sociedades Médico-Laboratoriais detalharam as recomendações para o atendimento do paciente no estabelecimento e também para um modelo ideal de laudo laboratorial.
  • Quando o médico solicitante indicar o tempo específico de jejum para o exame requerido, é recomendável que o laboratório siga tal orientação.
  • No caso de uma coleta de amostra para o perfil lipídico sem jejum, é recomendado que o laboratório informe no laudo o estado metabólico do paciente no momento da coleta da amostra, isto é, o tempo de jejum.
  • Quando houver, na mesma solicitação de perfil lipídico, outros exames que necessitem de jejum prolongado, o laboratório clínico poderá definir o jejum de 12 horas neste caso, contemplando todos os exames.
  • Para alinhamento entre as instituições e profissionais envolvidos desde o pedido do exame até o diagnóstico, recomenda-se a inserção da seguinte frase no laudo: “A interpretação clínica dos resultados deverá levar em consideração o motivo da indicação do exame, o estado metabólico do paciente e a estratificação do risco para estabelecimento das metas terapêuticas”.
Os novos valores de referência e valores de alvo terapêutico para o perfil lipídico de adultos mostram que, com jejum e sem jejum, os valores são diferentes somente para os triglicérides e idênticos para o CT, HDL-C, LDL-C e não-HDL-C. Para crianças e adolescentes, os valores referenciais desejáveis de triglicérides, com jejum e sem jejum, também são os únicos com valores diferentes (Tabelas I e II).

tabela 1

tabela 2_2
Veja o Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico  na íntegra:



FONTE: SBAC - Sociedade Brasileira de Análises Clínicas

sábado, 31 de dezembro de 2016

FELIZ ANO NOVO!!!!



Que a passagem deste ano renove e revigore em todos nós a esperança de saúde, prosperidade, bem estar e felicidade. Que o futuro traga ainda mais crescimento e sucesso a você e a todos que acreditam que o melhor ainda está por vir!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL!!!

A BIOMEDICINA METODISTA DESEJA A TODOS 
UM FELIZ NATAL!!!


"A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles
 que nos acompanham em nossa caminhada pela vida"









sábado, 17 de dezembro de 2016

BOAS FÉRIAS!!!!

A Biomedicina Metodista deseja a todos boas férias!!!


"Há duas fontes perenes de alegria pura: o bem realizado 
e o dever cumprido"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Você sabe o que é Neurociências?

A Neurociência pode ser definida como o estudo do sistema nervoso e a relação entre as funções cerebrais e mentais, para trazer conhecimento a respeito do pensamento, das emoções e do comportamento humano. Tem em sua base, na inter e transdisciplinaridade e a abrangência de utilizar e envolver várias áreas do conhecimento em saúde, sendo uma das áreas científicas que mais se destaca atualmente no país e no mundo.
Tendo em vista essa crescente área do conhecimento e a presença de professores pesquisadores da Faculdade de Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, que se inserem nesta área do conhecimento, mas que desenvolviam suas pesquisas de maneira independente, foi criado, em 2010, o Centro de Neurociências.
O Centro de Neurociências é parte integrante da estrutura física do Núcleo de Pesquisas Biológicas da Faculdade da Saúde, contando com cinco laboratórios totalmente equipados para realizar estudos dos efeitos de drogas e das bases neurobiológicas de psicopatologias, por meio de modelos biológicos em animais, como o campo aberto (que permite estudar drogas antiesquizofrênicas, sedativos, hipnóticos, drogas de abuso e comportamentos envolvendo atividade motora ansiedade e memória); labirinto em cruz elevado e esquiva discriminativa (utilizados para o estudo de drogas ansiolíticas e para o estudo das bases biológicas da ansiedade e memória), labirinto aquático do Morris (utilizado para o estudo das bases biológicas de diversos tipos de memória: espacial, curto prazo, memória operacional e memória de longo prazo), caixa de condicionamento ou caixa de Skinner (para investigar fatores interferentes ao aprendizado), aparelho preferência de lugar e experimentos de livre escolha (para estudo de drogas de abuso e seu potencial para dependência, bem como as bases biológicas desse processo), aparelhos de natação forçada (para investigação das bases biológicas da depressão e antidepressivos); cultura de células tumorais (para realização de experimentos envolvendo neuroimunomodulação); aparelho computadorizado para registro de contração de órgãos isolados (para o estudo de órgãos inervados pelo sistema nervoso periférico), técnica de Imunoistoquimica (para identificar importantes estruturas envolvidas em diferentes processos envolvendo o sistema nervoso central e o periférico); aparelhos e equipamentos para avaliação do desenvolvimento físico e neurocomportamental de roedores (para experimentos que investigam os efeitos de drogas durante a gestação e lactação).
Todos esses equipamentos permitem que seis linhas de pesquisas sejam desenvolvidas no Centro de Neurociências:
1.    Oncologia Experimental; 
2.    Estudo dos Mecanismos da Neuroimunomodulação;
3.    Análise Experimental do Comportamento: Animal e Humano;
4.    Estudos Toxicológicos durante o Período Perinatal;
5.    Estudo dos Efeitos Drogas de Abuso e suas bases neurobiológicas; 
6.    Estudo da Plasticidade Neural.


Você sabia que no curso de Biomedicina da Universidade Metodista de São Paulo os alunos desenvolvem projetos de Iniciação Científica na área de Neurociências além de ter na grade o módulo Princípios de Neurociências e Comportamento?

Quer saber mais?

Acesse: